Por que Peña segue na Presidência mesmo com impeachment em andamento?
Senado negou por 39 votos mais 72 horas à defesa, e a renúncia não foi analisada por falta de quórum. Peña diz que o prazo é insuficiente.
Informações confirmadas em 4 fontes independentes. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

O Senado do Paraguai negou, por 39 votos, o pedido do presidente Santiago Peña de mais 72 horas para preparar a defesa.
Poder360 e CNN Brasil confirmam a negativa.
Peña continua no cargo, e o julgamento segue nesta sexta-feira (6).
Peña tem dito que age para preservar a estabilidade do país. Em uma de suas falas, ele afirmou:
“Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas”, disse Peña
Leia tambémPeña pode deixar a Presidência do Paraguai? Veja o que está em jogo no julgamentoSegundo O Antagonista, o advogado Ricardo Preda afirmou que a defesa passará a ser apenas técnica e jurídica.
Ele não descartou uma defesa política, caso o Senado autorize.
O que se confirma
Peña foi intimado a comparecer ao Senado às 10h desta sexta-feira (6). Poder360, CNN Brasil e Metrópoles confirmam.
Segundo o presidente do Senado, Peña ou um representante deve se apresentar cerca de 30 minutos após a negativa.
O processo ganhou força depois da intervenção do Banco Central no Ueno Bank, na terça-feira (3).
Poder360 e CNN Brasil confirmam.
A intervenção veio após déficit em índices de solvência ligado a empréstimos a empresas vinculadas ao banco.
O banco, do Grupo Vázquez, tinha cerca de 3 milhões de clientes.
Também administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo do Instituto de Previdência Social (IPS).
Peña foi acionista do grupo controlador do banco até março de 2025.
CNN Brasil, O Antagonista e Metrópoles confirmam, e o próprio presidente diz o mesmo.
Para destituir Peña são necessários dois terços dos senadores. Poder360 e Metrópoles confirmam a regra.
A sessão para analisar a renúncia de Peña não foi concluída por falta de quórum.
Por isso, a renúncia não foi analisada e Peña segue na Presidência.
O que não está confirmado
Peña disse ter recebido a notificação às 22h15 de quinta-feira.
Segundo a CNN Brasil, a acusação tem 15 folhas e cerca de 300 páginas de anexos.
Para a defesa, menos de 12 horas não bastam para o direito de defesa. Nenhuma outra fonte consultada confirma o horário.
O Metrópoles publicou que o Ministério Público abriu investigação formal contra Peña, por suposto enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, corrupção, fraude administrativa e tráfico de influência.
Nenhuma outra fonte consultada confirma essa investigação.
Peña nega irregularidades. Ele diz que vendeu sua participação em março de 2025 e que os responsáveis responderão à Justiça.
O opositor Efraín Alegre, do Partido Liberal, afirmou, segundo O Antagonista: “É apenas uma estratégia dele, que não quer ser preso nem devolver o que roubou”.
Nenhuma fonte consultada comprova essa acusação.
Segundo as reportagens, a Câmara aprovou por unanimidade a abertura do processo.
Só o Metrópoles informa o placar de 78 votos.
A checagem não conseguiu confirmar de forma independente a rejeição do impeachment do vice Pedro Alliana, por 48 a 30.
Se Peña deixar a Presidência, quem assume é o vice Pedro Alliana, também do Partido Colorado. Só a Poder360 trouxe esse dado.
Contexto
Peña é economista e assumiu o governo em 2023. A CNN Brasil compara o caso a um “Banco Master paraguaio”.
Pela Constituição, ex-presidentes eleitos podem ser senadores vitalícios, sem voto, desde que não condenados por impeachment.
Na Câmara, a deputada da oposição Rocío Vallejo disse à CNN Brasil:
“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente... o senhor é a origem desse monstro que criou”, disse Rocío Vallejo
Há questionamentos sobre a nomeação de Carlos Carvallo, ex-presidente da Financiera Ueno, para o Banco Central.
Ele renunciou após a intervenção.
As reportagens nem sempre descrevem os fatos da mesma forma:
- CNN Brasil e O Antagonista tratam Peña como “renunciante”.
- Poder360 e Metrópoles dizem que ele segue na Presidência, porque a renúncia não foi analisada.
- Sobre clientes, a Poder360 fala em 2,9 milhões; as demais, em cerca de 3 milhões.
- Sobre a ordem dos eventos, a CNN Brasil diz que o Senado começou a discutir na quinta à noite; a Poder360 diz que o Senado seguiu após a sessão frustrada.
O que ainda não se sabe
- Não há informação sobre o rito detalhado nem o horário exato do julgamento desta sexta.
- Não há data para a decisão sobre a renúncia de Peña.
- Não se sabe se o Senado autorizará uma defesa política.
- As reportagens não explicam por que o Senado rejeitou o prazo extra pedido pela defesa.
- Não há detalhes das provas que sustentam a acusação da Câmara.
- Não há data limite para a votação final do impeachment.
- O status da investigação do Ministério Público ainda depende de confirmação.
O que checamos
Cada afirmação desta matéria foi conferida em fontes independentes antes da publicação.
- Confirmado
O Senado rejeitou, por 39 votos contrários, o pedido de Peña de prazo adicional de 72 horas para a defesa.
Fontes: Poder360, CNN Brasil · Poder360 e CNN Brasil citam 39 votos contrários; O Antagonista e Metrópoles confirmam a rejeição, sem citar o número. - Só uma fonte
Dois senadores se abstiveram na votação.
Fontes: Poder360 · Só o Poder360 cita as 2 abstenções, atribuindo ao jornal ABC Color. - Confirmado
Peña foi intimado a comparecer às 10h de sexta (6); ele ou um representante deveria comparecer em cerca de 30 minutos após a negativa, segundo o presidente do Senado.
Fontes: Poder360, CNN Brasil, Metrópoles · Intimação às 10h em Poder360 e CNN; prazo de 30 minutos em CNN e Metrópoles, citando Basilio Núñez. - Só uma fonte
Peña disse ter recebido a notificação às 22h15 de quinta, com acusação de 15 folhas e 300 páginas de anexos, e que menos de 12 horas é insuficiente.
Fontes: CNN Brasil · Horário e volume dos documentos só na CNN Brasil; Poder360 e O Antagonista citam apenas a insuficiência do prazo. - Só uma fonte
A Câmara aprovou por unanimidade a abertura do impeachment de Peña (78 votos segundo o Metrópoles) e rejeitou o de Alliana por 48 a 30.
Fontes: Poder360, CNN Brasil, Metrópoles · Unanimidade confirmada em 3 fontes. Os 78 votos só no Metrópoles. Placar 48 a 30 sobre Alliana não aparece nos textos; só a rejeição, no Poder360.
Fontes consultadas 4
- 1Poder360Senado do Paraguai nega pedido de Peña e mantém análise de impeachmentpoder360.com.br
- 2CNN BrasilSenado do Paraguai rejeita pedido de prorrogação de Peñacnnbrasil.com.br
- 3O AntagonistaSenado do Paraguai rejeita prorrogação de prazo para Peña exercer defesaoantagonista.com.br
- 4MetrópolesSenado do Paraguai nega prorrogação de prazo e votará impeachment de Peñametropoles.com
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