G1 conta as alíquotas do 'imposto do pecado', mas omite o alerta do setor sobre preços
As alíquotas e a data de cobrança conferem. O G1 não traz a reação do setor de bebidas nem detalhes como a isenção para táxis e PcD e a alíquota de 0,5% das loterias.
Os fatos publicados pelo G1 se confirmam, mas outras fontes trazem informação que muda a leitura e não estava no texto. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

Os números centrais publicados pelo G1 (2,6% para bebidas açucaradas, 4,2% para cerveja, 66,7% para cigarros, cobrança em fevereiro de 2027 e PEC do IPI) se confirmam nas outras fontes.
O G1 não menciona a preocupação dos produtores com preços e mercado ilegal, nem as isenções e a alíquota das loterias.
Há também pequenas divergências de detalhe, como a base de arrecadação e a data de início.
Por que isso aconteceu
O imposto seletivo foi criado pela reforma tributária (Emenda Constitucional 132/2023) para taxar bens prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.
Segundo a Agência Brasil, a Medida Provisória 1.399/2026 fixa o regime de transição até 31 de dezembro de 2027, com alíquotas baseadas no IPI e fatores de conversão.
Leia tambémG1 conta a conversa de Tereza com Bolsonaro, mas deixa de fora o que o PL tem de votosO Executivo diz que a ideia é preservar o nível atual de tributação.
Como a Constituição exige a noventena, o imposto só pode ser cobrado a partir de fevereiro.
Por isso o governo enviou também a PEC para manter o IPI nesse intervalo.
Segundo a Agência Brasil, as alíquotas definitivas, a valer em 2028, serão discutidas no Congresso, a partir de projeto que o governo deve enviar até 31 de maio de 2027.
O outro lado
Segundo a Revista Oeste, produtores de bebidas alcoólicas afirmam que a tributação no país já é elevada.
Representantes do setor dizem que aumentos futuros podem pressionar preços, reduzir margens e estimular o mercado ilegal.
O que ficou de fora do texto do G1
- Produtores de bebidas dizem que a carga já é alta e que aumentos podem pressionar preços e estimular o mercado ilegal (Revista Oeste)
- Loterias e apostas terão alíquota de 0,5% (Revista Oeste) (Agência Brasil) (Agência Senado)
- Bebidas destiladas terão 24%, e rum e aguardentes de cana, 20% (O Antagonista)
- Veículos de passeio terão alíquota-base de 6,3% e os de carga, 3,9%, com ajustes por sustentabilidade (O Antagonista) (Agência Senado)
- Táxis, pessoas com deficiência e pessoas com TEA terão alíquota zero na compra de veículos (Agência Brasil) (Agência Senado)
- Bens minerais extraídos terão alíquota zero até o fim de 2027 (Revista Oeste) (Agência Brasil) (Agência Senado)
Como o G1 contou a história
O G1 abre com a "expectativa" dos empresários e dá voz ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, que fala em acordo com os setores.
A matéria apresenta o imposto como mera manutenção da carga do IPI.
Revista Oeste e O Antagonista citam as mesmas alíquotas, mas trazem o alerta dos produtores de bebidas sobre preços, margens e mercado ilegal, além de dizerem que a taxação deve aumentar a partir de 2028.
A Agência Senado informa que os fatores de conversão "poderão aumentar ou manter" a alíquota inicial, nuance que o G1 resume como manutenção do nível atual.
O G1 cita a exigência do prazo de 90 dias, mas não traz as isenções para táxis e pessoas com deficiência nem a alíquota das loterias.
Afirmação por afirmação
Cada afirmação da matéria do G1, conferida em outros veículos e fontes oficiais.
- Confirmado
Bebidas açucaradas terão alíquota de 2,6%, cervejas de 4,2% e cigarros de 66,7% sobre parte do preço, mais R$ 3,50 por maço.
Fontes: Revista Oeste, O Antagonista · A Revista Oeste traz 2,6%, 4,2% e 66,7% mais R$ 3,50 por maço, e O Antagonista confirma 4,2% e 66,7%. - Impreciso
Vinhos terão alíquota de 8% de imposto seletivo, acima dos 6,5% de IPI de alguns tipos.
Fontes: Revista Oeste, O Antagonista · A Revista Oeste e O Antagonista confirmam 8% para vinhos, mas nenhuma fonte traz o IPI de 6,5% citado pelo G1. O G1 trata o vinho como "alguns tipos". - Só o G1 publicou
Barcos a motor terão alíquota de 12%.
Nenhuma outra fonte traz · As fontes falam em critérios de sustentabilidade e eficiência para embarcações, sem citar o número de 12% para barcos a motor. - Confirmado
A cobrança começa em fevereiro de 2027, por causa da noventena exigida pela Constituição.
Fontes: Revista Oeste, O Antagonista, Agência Brasil · A Revista Oeste, O Antagonista e a Agência Brasil trazem 2 de fevereiro de 2027, depois da noventena. A Agência Senado fala em 1º de fevereiro. - Confirmado
O governo publicou uma PEC para manter temporariamente o IPI até o início do imposto seletivo, evitando perda de arrecadação.
Fontes: Revista Oeste, O Antagonista, Agência Brasil · A Revista Oeste, O Antagonista e a Agência Brasil dizem que o governo enviou ao Congresso a PEC para prorrogar o IPI e evitar perda de arrecadação.
Fontes consultadas 5
- 1g1'Imposto do pecado': governo federal define as alíquotas do tributo, que começa a ser cobrado em 2027g1.globo.com
- 2Revista OesteGoverno Lula publica MP que define alíquotas do ‘imposto do pecado’revistaoeste.com
- 3O AntagonistaGoverno Lula publica MP do “imposto do pecado”oantagonista.com.br
- 4Agência BrasilGoverno publica MP das alíquotas do Imposto Seletivo para 2027agenciabrasil.ebc.com.br
- 5Agência SenadoMP define as alíquotas do Imposto Seletivo para 2027www12.senado.leg.br
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