Binance libera saques em duas etapas, com retiradas acima de US$ 4 bi
Segundo a Binance, a saída líquida foi de cerca de US$ 3,64 bi em 1º de novembro, durante a liberação gradual dos saques. Outros números variam conforme o recorte.
Parte das informações foi confirmada; o restante segue em apuração e está sinalizado no texto. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

A Binance registrou saída líquida de cerca de US$ 3,64 bilhões entre 6h e 15h30 (UTC) de 1º de novembro, período em que voltou a liberar saques após o ataque hacker. Segundo a CNN Brasil e o Metrópoles, o ataque resultou no roubo de cerca de US$ 6,3 bilhões em criptoativos. Os números do saldo partem do próprio comunicado da exchange e não têm verificação independente.
O que se confirma
Os três veículos que trazem o recorte reproduzem os mesmos valores: retiradas de US$ 4,649 bilhões e depósitos de US$ 1,01 bilhão, o que resulta no saldo negativo de cerca de US$ 3,64 bilhões. A CNN Brasil, o InfoMoney e a Jovem Pan atribuem os dados à Binance. Segundo a exchange, o saldo equivale a 2,1% dos US$ 171 bilhões em ativos sob gestão, com base na Prova de Reservas de 28 de outubro.
A liberação ocorreu em duas etapas. A primeira fase trouxe 15 tokens, entre eles bitcoin, ether, parte das stablecoins USDC e USDT e dogecoin. Depois vieram outras moedas, como dólar, real brasileiro, euro e peso argentino. CNN Brasil e InfoMoney confirmam essa sequência.
Leia tambémBinance diz ter reposto 90% do roubo: o que muda para quem saca?A Binance afirma que a retomada é gradual e prioriza tokens conforme a demanda dos usuários na última semana. No comunicado no X, a empresa escreveu: “Estamos adotando uma abordagem gradual, priorizando tokens com base nos dados da demanda do usuário da última semana”. Segundo a exchange, as retiradas caíram após um pico inicial e estão se estabilizando, enquanto os depósitos seguem substanciais. A Jovem Pan traz a frase da empresa: “As condições de mercado estão estáveis”.
Versões que divergem
Os valores de saída mudam conforme o recorte e a fonte:
- CNN Brasil: saídas de US$ 4,36 bilhões no painel do DefiLlama citado pela emissora;
- InfoMoney: volume de retiradas de US$ 5,165 bilhões após novas liberações, sem o mesmo recorte de horário;
- Metrópoles: clientes teriam retirado cerca de US$ 5 bilhões (R$ 27,2 bilhões) após a retomada, valor que não aparece nas demais fontes com o mesmo período.
A própria Binance pediu cautela com números de terceiros. Um porta-voz afirmou: “Esses números não incluem os fluxos que depositamos em nossa nova carteira quente, portanto, não são precisos. Nossa última atualização sobre X é a mais próxima da realidade”. Por isso, nenhum desses valores pode ser tomado como total consolidado.
Sobre a recuperação dos fundos, a CNN Brasil atribui à Binance a informação de que 95% dos US$ 6,3 bilhões roubados foram recuperados, com os 5% restantes em ativos menos líquidos. O Metrópoles diz que a exchange cobriu “a grande maioria” das perdas. A Jovem Pan não traz percentual. Assim, as fontes não confirmam, em conjunto, que todos os fundos foram repostos.
Também divergem as descrições do caso. A CNN Brasil traz a avaliação de analistas de que o ataque pode ser o “maior assalto financeiro da história”. O Metrópoles apresenta o caso como o maior roubo de moeda digital. Sobre a interrupção, o Metrópoles fala em falha técnica, enquanto a Jovem Pan descreve medidas de precaução e suspensão temporária dos saques.
O que não está confirmado
- O InfoMoney relata um novo registro de reservas e o início do cálculo da prova de conhecimento zero, com relatório previsto para breve. Nenhuma outra fonte consultada traz essa informação.
- O percentual de 95% recuperados aparece apenas na CNN Brasil, atribuído à Binance.
- O Metrópoles relata queda dos preços das criptomoedas na sexta-feira (30), enquanto a exchange tentava tranquilizar clientes. Nenhuma fonte consultada sustenta esse relato.
- Não encontramos sustentação, nas fontes consultadas, para o relato de que cerca de US$ 3 bilhões em ativos roubados teriam sido localizados e congelados até sexta-feira (30).
A atribuição do ataque ao grupo norte-coreano também depende de uma única fonte. Segundo a CNN Brasil, o FBI atribuiu o caso à unidade TraderTraitor, patrocinada pelo Estado norte-coreano. A Coreia do Norte nega envolvimento, e o presidente Donald Trump disse que não está claro se o país esteve envolvido. A Binance não confirmou essa atribuição, e não há confirmação oficial independente sobre o responsável.
Contexto
Segundo a CNN Brasil, pesquisadores da TRM Labs estimaram que criptoativos de cerca de US$ 2,9 bilhões foram roubados no ano passado, em quase 150 incidentes. Em reportagens sobre o caso, analistas apontaram semelhanças com ataques anteriores atribuídos à Coreia do Norte, sem confirmação oficial. Os saques, de acordo com as reportagens, funcionam como um teste inicial da confiança dos clientes na corretora.
Para o investidor brasileiro, o dado concreto é a inclusão do real (BRL) entre as moedas liberadas para saque. Não há informação específica sobre impacto para os usuários do país.
O que ainda não se sabe
- A data das liberações posteriores à primeira fase, inclusive das moedas fiat, e se já estão disponíveis para todos os usuários.
- Quando será divulgado o relatório atualizado de Prova de Reservas.
- Se os 5% restantes dos ativos roubados serão recuperados e em qual prazo.
- A composição exata dos ativos retirados e a saída líquida em moedas fiat versus criptoativos.
- Se haverá confirmação oficial sobre o responsável pelo ataque.
O que checamos
Cada afirmação desta matéria foi conferida em fontes independentes antes da publicação.
- Confirmado
Entre 6h e 15h30 (UTC) de 1º de novembro, a Binance processou US$ 4,649 bi em retiradas e US$ 1,01 bi em depósitos, saída líquida de cerca de US$ 3,64 bi.
Fontes: InfoMoney, Jovem Pan, CNN Brasil · InfoMoney e Jovem Pan trazem os números e o horário; CNN Brasil confirma os US$ 3,64 bi de saída líquida. Origem: comunicado da Binance no X. - Confirmado
A saída líquida equivale a 2,1% dos US$ 171 bi em ativos, com base na Prova de Reservas de 28 de outubro.
Fontes: CNN Brasil, InfoMoney, Jovem Pan · Os 2,1% aparecem nas três fontes. Os US$ 171 bi e a data de 28/10 constam só no InfoMoney. - Confirmado
A primeira fase de saques liberou 15 tokens (bitcoin, ether, parte de USDC e USDT, dogecoin); depois foram liberadas outras moedas, como dólar, real, euro e peso argentino.
Fontes: CNN Brasil, InfoMoney · CNN descreve a primeira fase com 15 tokens; InfoMoney lista as moedas fiat liberadas, incluindo USD, BRL, EUR e ARS. - Confirmado
A retomada é gradual, priorizando tokens conforme a demanda dos usuários na última semana.
Fontes: CNN Brasil, InfoMoney · CNN cita o comunicado da Binance no X; InfoMoney confirma a retomada gradual, mas sem o critério de priorização. - Só uma fonte
A Binance disse ter recuperado 95% dos US$ 6,3 bi roubados; os 5% restantes são ativos menos líquidos.
Fontes: CNN Brasil · Só a CNN Brasil traz o percentual e a explicação. O Metrópoles diz apenas que a 'grande maioria' foi coberta. Atribuir à Binance via CNN.
Fontes consultadas 4
- 1CNN BrasilBinance registra saídas líquidas de US$ 3,64 bi após retomada de saquescnnbrasil.com.br
- 2InfoMoneyBinance libera mais 5 moedas para saque e volume de retiradas chega a US$ 5,16 biinfomoney.com.br
- 3MetrópolesBinance registra retiradas de R$ 27,2 bilhões após roubo em ataque hackermetropoles.com
- 4Jovem PanBinance registra retiradas líquidas de US$ 3,64 bilhões após retomada de saquesjovempan.com.br
Encontrou um erro? As correções são publicadas na própria matéria, com data e hora.
Debata esta notícia no fórum
Abra um tópico sobre o assunto e chame outros leitores para a conversa.



