Notebook comprometido abriu caminho para o roubo na Binance?
Segundo o FBI, o grupo TraderTraitor, ligado à Coreia do Norte, está por trás do ataque. Já a ligação com o notebook invadido segue como hipótese.
Parte das informações foi confirmada; o restante segue em apuração e está sinalizado no texto. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

Um ataque que resultou em saques não autorizados de criptoativos da Binance, avaliado em cerca de US$ 6,3 bilhões, é considerado o maior roubo desse tipo já registrado. A própria exchange diz que um computador comprometido pode ter sido a porta de entrada, mas essa relação ainda não está comprovada publicamente.
O que se confirma
A checagem confirmou em três fontes independentes que o valor chega a cerca de US$ 6,3 bilhões. g1, Jovem Pan e Metrópoles registram o mesmo número e o apontam como o maior roubo de moedas digitais já registrado.
Jovem Pan e Metrópoles confirmam que o FBI atribui a ação ao grupo TraderTraitor, que, segundo o comunicado da agência, é patrocinado pelo governo norte-coreano. No texto oficial, lê-se:
Leia tambémCortes no governo Lula devem atingir privilégios ou políticas sociais?“O roubo foi realizado pelo TraderTraitor, um grupo de cibercriminosos patrocinados pela Coreia do Norte”
As mesmas duas fontes confirmam que, segundo o FBI, os criminosos já começaram a converter os ativos roubados, principalmente para ethereum (ETH). A agência também pediu que corretoras e empresas de análise de blockchain bloqueiem transações ligadas aos endereços identificados na investigação.
O que não está confirmado
Sobre o ponto de entrada, só o g1 publicou que a Binance trata o computador comprometido como possível origem do incidente. Nenhuma outra fonte consultada confirma a relação. Na fala citada pelo g1, a equipe de segurança da empresa disse:
“Nossa equipe de segurança está rastreando todo o caminho do ataque através do computador comprometido, que pode ser o ponto de entrada do incidente”
Ou seja, a empresa fala em possibilidade, não em conclusão. Não há detalhe público sobre como o notebook foi acessado nem sobre qual método foi usado. O g1 também informou que a Binance identificou depois outros pontos de invasão, mas esse dado aparece só nessa fonte.
A atribuição à Coreia do Norte também depende de comunicado. Segundo o g1, a empresa de análise TRM Labs afirmou ter alta confiança de que foi o TraderTraitor, citando dados dentro e fora da blockchain. A empresa disse que “várias características do ataque coincidem com roubos anteriores vinculados à Coreia do Norte”. Essa afirmação vem de uma fonte, e o FBI não divulgou provas públicas detalhadas.
Sobre a reposição dos ativos, as versões divergem:
- Segundo a Jovem Pan, a Binance diz ter reservas das mesmas criptomoedas roubadas suficientes para cobrir 90% dos ativos desaparecidos.
- Segundo o Metrópoles, a empresa diz já ter reposto 90% dos criptoativos roubados, percentual que era de cerca de 80% no balanço anterior.
A checagem não confirma nenhuma das duas versões como fato. A promessa de ressarcir integralmente os clientes aparece apenas na Jovem Pan e vem da própria empresa.
Contexto
Analistas associam o TraderTraitor ao grupo Lazarus, que ganhou notoriedade em 2014, quando foi acusado de invadir a Sony Pictures. O g1 lembra que a Mt Gox perdeu cerca de US$ 500 milhões há 12 anos. Já a Bybit sofreu roubo de US$ 1,5 bilhão em fevereiro de 2025, citado por Jovem Pan e Metrópoles como comparação.
O Metrópoles afirma que o valor equivale a cerca de R$ 34 bilhões e que é quatro vezes o roubo da Bybit. Para o ex-chefe da Mt Gox, Mark Karpeles, a Binance parece ter dividido seus ativos em vários sistemas, o que limita o alcance de um único ataque. Ele avaliou, porém, que um ataque desse porte ainda representa perda enorme.
O que ainda não se sabe
- Como o notebook foi invadido e qual vetor de acesso foi usado, seja phishing, malware ou credenciais.
- Quais provas sustentam a atribuição à Coreia do Norte além dos comunicados do FBI e da TRM Labs.
- Se há valores recuperados ou congelados até agora.
- Qual será o mecanismo de ressarcimento, já que a promessa da empresa não foi detalhada.
- Quais orientações a Binance deu aos usuários para proteger seus ativos. As fontes consultadas não informam isso.
- Se os saques serão retomados em 1º/11, como prevê o Metrópoles, já que a data não foi detalhada pela empresa.
O que checamos
Cada afirmação desta matéria foi conferida em fontes independentes antes da publicação.
- Só uma fonte
A Binance diz que uma investigação inicial indica que um computador comprometido pode ter sido o ponto de entrada para saques não autorizados.
Fontes: g1 · Aparece só no g1 (com Reuters), atribuída à Binance e em tom de possibilidade. Deve ir atribuída e com cautela. - Só uma fonte
A Binance identificou depois outros pontos de invasão.
Fontes: g1 · Só o g1 diz que a empresa informou, mais tarde, ter identificado outros pontos de invasão. - Confirmado
O roubo de cerca de US$ 6,3 bilhões é o maior de criptomoedas já registrado.
Fontes: g1, Jovem Pan, Metrópoles · As três fontes descrevem como o maior roubo de criptomoedas já registrado; o valor aparece em [2] e [3], e [1] só cita 'maior roubo'. - Só uma fonte
Os recursos foram retirados da plataforma em minutos na quinta-feira (29/10).
Fontes: Jovem Pan · Só a Jovem Pan fala em retirada em questão de minutos na quinta, dia 29. - Confirmado
O FBI atribui o roubo ao TraderTraitor, grupo patrocinado pela Coreia do Norte.
Fontes: Jovem Pan, Metrópoles · Comunicado do FBI citado por Jovem Pan e Metrópoles; a citação direta está em [3].
Fontes consultadas 3
- 1g1Binance: notebook invadido pode ter aberto caminho para roubo de US$ 6,3 bilhõesg1.globo.com
- 2Jovem PanFBI atribui à Coreia do Norte roubo de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas da Binancejovempan.com.br
- 3MetrópolesFBI aponta Coreia do Norte como autora de roubo bilionário na Binancemetropoles.com
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