Quem vai pagar a conta do maior roubo de criptoativos da história?
Segundo a própria corretora, cerca de 90% dos US$ 6,3 bilhões desviados já foram repostos e os saques devem reabrir no domingo; a conta, diz a empresa, será paga por ela.
Parte das informações foi confirmada; o restante segue em apuração e está sinalizado no texto. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

A Binance publicou um comunicado a investidores, no X e em seu site, afirmando ter reposto cerca de 90% dos criptoativos desviados em um ataque hacker ocorrido na quinta-feira (29/10). CNN Brasil, g1, Revista Oeste e Metrópoles registram o desvio de cerca de US$ 6,3 bilhões, o maior roubo do setor. A checagem confirmou o valor e a informação de que a empresa fala em 90% repostos, mas o percentual é da própria corretora e ainda não foi verificado de forma independente.
O que se confirma
O ataque aconteceu na quinta-feira (29/10) e levou cerca de US$ 6,3 bilhões em criptoativos, segundo as quatro fontes consultadas. A Binance afirma que repôs cerca de 90% desse valor e que os 10% restantes são tokens de menor liquidez, cuja compra em quantidade suficiente pode levar mais tempo.
Dez criptoativos, entre eles bitcoin e ether, já foram integralmente repostos, informação que aparece no g1 e no Metrópoles. Segundo o Metrópoles, o índice subiu de cerca de 80%, na sexta-feira (30/10), para 90%, no sábado (31/10).
Leia tambémQuanto a Bolsa perdeu depois do 2º turno, afinal?Os saques estão suspensos, e a empresa prevê reabri-los no domingo (1º/11). Os depósitos continuaram funcionando. Não há detalhes sobre como será a reabertura nem se haverá limites.
Sobre a origem do ataque, a investigação preliminar apontou como porta de entrada o laptop de um engenheiro de DevOps, a partir do qual um contêiner de serviço teria sido acessado. Depois, a empresa informou ter encontrado outros pontos de invasão. Nas palavras da Binance no X: “No entanto, nossa investigação subsequente descobriu pontos de violação adicionais”.
Segundo a TRM Labs, citada pela CNN Brasil e pelo g1, criminosos comprometeram a infraestrutura de assinatura da Binance, responsável por autorizar transações. A carteira quente foi esvaziada cerca de 3 minutos e 24 segundos após a transação-chave, e a maior parte do roubo teria ocorrido em aproximadamente 20 minutos.
Cerca de US$ 3 bilhões foram congelados com ajuda de empresas do setor e de autoridades. Congelar não equivale a recuperar, e a checagem não encontrou informação sobre quanto desse valor já voltou à corretora.
O co-CEO Richard Teng afirmou, segundo o g1: “Nosso compromisso permanece o mesmo: a Binance cobrirá integralmente o impacto financeiro dos fundos roubados neste incidente”.
Empresas de análise de blockchain ligam o ataque à Coreia do Norte, conforme CNN Brasil, g1 e Revista Oeste. A Binance, porém, diz que ainda não identificou os responsáveis.
O que não está confirmado
A Revista Oeste publicou que o FBI atribuiu o ataque ao grupo TraderTraitor, patrocinado pelo Estado norte-coreano, e que parte dos ativos foi convertida em ethereum. Nenhuma outra fonte consultada traz essa atribuição, e a Binance não a confirmou.
Ainda pela Revista Oeste, a Binance teria reservado mais de US$ 6,34 bilhões de recursos próprios, dos quais US$ 5 bilhões já estariam disponíveis nas mesmas criptomoedas atingidas. Nenhuma outra fonte traz o valor de US$ 5 bilhões.
O g1 descreve a reposição com fundos de emergência para usuários, parte de um fundo de seguro e caixa da própria empresa. Segundo a reportagem, a reserva SAFU seria recomposta para cerca de US$ 1 bilhão. A CNN Brasil também cita fundos de segurança, de Futuros e de tesouraria, e o Metrópoles menciona o SAFU, mas o valor de US$ 1 bilhão só aparece no g1.
Para os clientes brasileiros, o Metrópoles publicou que a Binance diz que os ativos de usuários brasileiros estão protegidos e que a empresa, e não os usuários, assumirá o impacto. O comunicado diz: “A Binance assumirá o impacto financeiro desses fundos roubados — e não os nossos usuários”. A CNN Brasil informa que a Binance Brasil diz que os fundos estão seguros, mas não encontramos detalhamento sobre clientes brasileiros afetados nem sobre seus saldos.
O g1 também diz que a Binance trabalha com autoridades de vários países, incluindo o FBI e o Serviço Secreto dos EUA, e descreve queda do mercado na sexta-feira e recuperação no sábado, com o bitcoin perto de US$ 77.430. Essas informações aparecem só nessa publicação.
Contexto
A reserva SAFU foi criada em 2018 como fundo de emergência para proteger clientes em situações como ataques hackers. Segundo CNN Brasil e Revista Oeste, o maior roubo anterior da lista foi o ataque à Bybit, em 2025, de cerca de US$ 1,5 bilhão.
Até agora, a checagem não encontrou menção a investigação de autoridades brasileiras nem a medidas regulatórias sobre o caso nas fontes consultadas.
O que ainda não se sabe
- Como será a reabertura dos saques e se haverá limites.
- Quando serão compradas as moedas menos líquidas que completam os 10% restantes.
- Quem são os responsáveis pelo ataque. A atribuição vem de análises externas e, segundo a Revista Oeste, do FBI, sem confirmação da Binance.
- Quanto dos US$ 3 bilhões congelados voltará à corretora.
- Quantos clientes brasileiros foram afetados e de quanto são seus saldos.
Para quem tem criptoativos na exchange, a orientação disponível nas fontes é acompanhar os canais oficiais da Binance, inclusive o anúncio da reabertura dos saques. Esta matéria não é recomendação de investimento.
O que checamos
Cada afirmação desta matéria foi conferida em fontes independentes antes da publicação.
- Confirmado
O ataque ocorreu na quinta-feira (29/10) e desviou cerca de US$ 6,3 bilhões em criptoativos, o maior roubo do setor.
Fontes: CNN Brasil, g1 Economia, Revista Oeste, Metrópoles · As quatro fontes citam o ataque na quinta (29) e o valor entre US$ 6 e 6,3 bilhões. CNN e g1 o chamam de maior roubo. - Confirmado
A Binance afirma ter reposto cerca de 90% dos ativos roubados; os 10% restantes são tokens menos líquidos.
Fontes: CNN Brasil, g1 Economia, Revista Oeste, Metrópoles · Todas as fontes trazem os 90%. g1, Oeste e Metrópoles explicam que o restante são moedas menos negociadas. - Confirmado
Dez criptoativos, incluindo bitcoin e ether, já foram integralmente repostos.
Fontes: g1 Economia, Metrópoles · g1 e Metrópoles citam dez moedas totalmente cobertas. A CNN cita BTC, ETH, USDT e USDC como repostos. - Só uma fonte
A Binance reservou mais de US$ 6,34 bilhões de recursos próprios e US$ 5 bilhões já estão disponíveis nas mesmas criptomoedas.
Fontes: Revista Oeste · Os US$ 6,34 bilhões aparecem em CNN, Oeste e Metrópoles. Os US$ 5 bilhões disponíveis só aparecem na Revista Oeste. - Só uma fonte
A reposição usa fundos de emergência, parte de fundo de seguro e caixa próprio; o SAFU, criado em 2018, será recomposto para cerca de US$ 1 bilhão.
Fontes: g1 Economia · O uso de fundos e o SAFU de 2018 aparecem em g1, CNN e Metrópoles. A meta de US$ 1 bilhão só está no g1.
Fontes consultadas 4
- 1CNN BrasilBinance diz que repôs 90% dos ativos roubados após ataque de US$ 6 bilhõescnnbrasil.com.br
- 2g1 EconomiaBinance diz ter coberto 90% das perdas após ataque hacker de mais de US$ 6 bilhõesg1.globo.com
- 3Revista OesteBinance recupera 90% dos US$ 6,3 bilhões roubados em ataque hackerrevistaoeste.com
- 4MetrópolesBinance diz ter reposto 90% dos ativos roubados em ataque hacker bilionáriometropoles.com
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