domingo, 1 de novembro de 2026
Binance e ataque hacker

Quem vai pagar a conta do maior roubo de criptoativos da história?

Segundo a própria corretora, cerca de 90% dos US$ 6,3 bilhões desviados já foram repostos e os saques devem reabrir no domingo; a conta, diz a empresa, será paga por ela.

Por Redação Use a Lógica
Produzida com apoio de inteligência artificial, a partir das fontes listadas, com checagem e revisão automáticas.
5 min de leitura 4 fontes
Parcialmente confirmado

Parte das informações foi confirmada; o restante segue em apuração e está sinalizado no texto. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

Arte da editoria Economia
Foto: Arte/Use a Lógica

A Binance publicou um comunicado a investidores, no X e em seu site, afirmando ter reposto cerca de 90% dos criptoativos desviados em um ataque hacker ocorrido na quinta-feira (29/10). CNN Brasil, g1, Revista Oeste e Metrópoles registram o desvio de cerca de US$ 6,3 bilhões, o maior roubo do setor. A checagem confirmou o valor e a informação de que a empresa fala em 90% repostos, mas o percentual é da própria corretora e ainda não foi verificado de forma independente.

O que se confirma

O ataque aconteceu na quinta-feira (29/10) e levou cerca de US$ 6,3 bilhões em criptoativos, segundo as quatro fontes consultadas. A Binance afirma que repôs cerca de 90% desse valor e que os 10% restantes são tokens de menor liquidez, cuja compra em quantidade suficiente pode levar mais tempo.

Dez criptoativos, entre eles bitcoin e ether, já foram integralmente repostos, informação que aparece no g1 e no Metrópoles. Segundo o Metrópoles, o índice subiu de cerca de 80%, na sexta-feira (30/10), para 90%, no sábado (31/10).

Operadores e movimentação em frente aos painéis de cotações da Bolsa de ValoresLeia tambémQuanto a Bolsa perdeu depois do 2º turno, afinal?

Os saques estão suspensos, e a empresa prevê reabri-los no domingo (1º/11). Os depósitos continuaram funcionando. Não há detalhes sobre como será a reabertura nem se haverá limites.

Sobre a origem do ataque, a investigação preliminar apontou como porta de entrada o laptop de um engenheiro de DevOps, a partir do qual um contêiner de serviço teria sido acessado. Depois, a empresa informou ter encontrado outros pontos de invasão. Nas palavras da Binance no X: “No entanto, nossa investigação subsequente descobriu pontos de violação adicionais”.

Segundo a TRM Labs, citada pela CNN Brasil e pelo g1, criminosos comprometeram a infraestrutura de assinatura da Binance, responsável por autorizar transações. A carteira quente foi esvaziada cerca de 3 minutos e 24 segundos após a transação-chave, e a maior parte do roubo teria ocorrido em aproximadamente 20 minutos.

Cerca de US$ 3 bilhões foram congelados com ajuda de empresas do setor e de autoridades. Congelar não equivale a recuperar, e a checagem não encontrou informação sobre quanto desse valor já voltou à corretora.

O co-CEO Richard Teng afirmou, segundo o g1: “Nosso compromisso permanece o mesmo: a Binance cobrirá integralmente o impacto financeiro dos fundos roubados neste incidente”.

Empresas de análise de blockchain ligam o ataque à Coreia do Norte, conforme CNN Brasil, g1 e Revista Oeste. A Binance, porém, diz que ainda não identificou os responsáveis.

O que não está confirmado

A Revista Oeste publicou que o FBI atribuiu o ataque ao grupo TraderTraitor, patrocinado pelo Estado norte-coreano, e que parte dos ativos foi convertida em ethereum. Nenhuma outra fonte consultada traz essa atribuição, e a Binance não a confirmou.

Ainda pela Revista Oeste, a Binance teria reservado mais de US$ 6,34 bilhões de recursos próprios, dos quais US$ 5 bilhões já estariam disponíveis nas mesmas criptomoedas atingidas. Nenhuma outra fonte traz o valor de US$ 5 bilhões.

O g1 descreve a reposição com fundos de emergência para usuários, parte de um fundo de seguro e caixa da própria empresa. Segundo a reportagem, a reserva SAFU seria recomposta para cerca de US$ 1 bilhão. A CNN Brasil também cita fundos de segurança, de Futuros e de tesouraria, e o Metrópoles menciona o SAFU, mas o valor de US$ 1 bilhão só aparece no g1.

Para os clientes brasileiros, o Metrópoles publicou que a Binance diz que os ativos de usuários brasileiros estão protegidos e que a empresa, e não os usuários, assumirá o impacto. O comunicado diz: “A Binance assumirá o impacto financeiro desses fundos roubados — e não os nossos usuários”. A CNN Brasil informa que a Binance Brasil diz que os fundos estão seguros, mas não encontramos detalhamento sobre clientes brasileiros afetados nem sobre seus saldos.

O g1 também diz que a Binance trabalha com autoridades de vários países, incluindo o FBI e o Serviço Secreto dos EUA, e descreve queda do mercado na sexta-feira e recuperação no sábado, com o bitcoin perto de US$ 77.430. Essas informações aparecem só nessa publicação.

Contexto

A reserva SAFU foi criada em 2018 como fundo de emergência para proteger clientes em situações como ataques hackers. Segundo CNN Brasil e Revista Oeste, o maior roubo anterior da lista foi o ataque à Bybit, em 2025, de cerca de US$ 1,5 bilhão.

Até agora, a checagem não encontrou menção a investigação de autoridades brasileiras nem a medidas regulatórias sobre o caso nas fontes consultadas.

O que ainda não se sabe

  • Como será a reabertura dos saques e se haverá limites.
  • Quando serão compradas as moedas menos líquidas que completam os 10% restantes.
  • Quem são os responsáveis pelo ataque. A atribuição vem de análises externas e, segundo a Revista Oeste, do FBI, sem confirmação da Binance.
  • Quanto dos US$ 3 bilhões congelados voltará à corretora.
  • Quantos clientes brasileiros foram afetados e de quanto são seus saldos.

Para quem tem criptoativos na exchange, a orientação disponível nas fontes é acompanhar os canais oficiais da Binance, inclusive o anúncio da reabertura dos saques. Esta matéria não é recomendação de investimento.

O que checamos

Cada afirmação desta matéria foi conferida em fontes independentes antes da publicação.

8 confirmado6 só uma fonte
  1. Confirmado

    O ataque ocorreu na quinta-feira (29/10) e desviou cerca de US$ 6,3 bilhões em criptoativos, o maior roubo do setor.

    Fontes: CNN Brasil, g1 Economia, Revista Oeste, Metrópoles · As quatro fontes citam o ataque na quinta (29) e o valor entre US$ 6 e 6,3 bilhões. CNN e g1 o chamam de maior roubo.
  2. Confirmado

    A Binance afirma ter reposto cerca de 90% dos ativos roubados; os 10% restantes são tokens menos líquidos.

    Fontes: CNN Brasil, g1 Economia, Revista Oeste, Metrópoles · Todas as fontes trazem os 90%. g1, Oeste e Metrópoles explicam que o restante são moedas menos negociadas.
  3. Confirmado

    Dez criptoativos, incluindo bitcoin e ether, já foram integralmente repostos.

    Fontes: g1 Economia, Metrópoles · g1 e Metrópoles citam dez moedas totalmente cobertas. A CNN cita BTC, ETH, USDT e USDC como repostos.
  4. Só uma fonte

    A Binance reservou mais de US$ 6,34 bilhões de recursos próprios e US$ 5 bilhões já estão disponíveis nas mesmas criptomoedas.

    Fontes: Revista Oeste · Os US$ 6,34 bilhões aparecem em CNN, Oeste e Metrópoles. Os US$ 5 bilhões disponíveis só aparecem na Revista Oeste.
  5. Só uma fonte

    A reposição usa fundos de emergência, parte de fundo de seguro e caixa próprio; o SAFU, criado em 2018, será recomposto para cerca de US$ 1 bilhão.

    Fontes: g1 Economia · O uso de fundos e o SAFU de 2018 aparecem em g1, CNN e Metrópoles. A meta de US$ 1 bilhão só está no g1.

Fontes consultadas 4

  1. 1CNN BrasilBinance diz que repôs 90% dos ativos roubados após ataque de US$ 6 bilhõescnnbrasil.com.br
  2. 2g1 EconomiaBinance diz ter coberto 90% das perdas após ataque hacker de mais de US$ 6 bilhõesg1.globo.com
  3. 3Revista OesteBinance recupera 90% dos US$ 6,3 bilhões roubados em ataque hackerrevistaoeste.com
  4. 4MetrópolesBinance diz ter reposto 90% dos ativos roubados em ataque hacker bilionáriometropoles.com

Encontrou um erro? As correções são publicadas na própria matéria, com data e hora.

Compartilhe esta notícia

Debata esta notícia no fórum

Abra um tópico sobre o assunto e chame outros leitores para a conversa.

Criar tópico sobre esta notícia

Comentários

Mais de Economia

Tudo de Economia

Toda notícia aqui passa por checagem de fontes

Cruzamos pelo menos duas fontes independentes antes de afirmar algo como fato, e mostramos todas no fim de cada matéria.

  • Fontes listadas
  • Selo de verificação
  • Correções públicas
Entenda o método