Dívida em 82,9% do PIB: os números do G1 batem, mas os juros ficaram em segundo plano
Os dados do G1 se confirmam. Faltou dizer que os juros explicam quase todo o aumento da dívida federal no mês e que o resultado de setembro melhorou.
Os fatos publicados pelo G1 se confirmam, mas outras fontes trazem informação que muda a leitura e não estava no texto. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

Os números centrais do G1 se confirmam: dívida bruta em 82,9% do PIB, déficit de R$ 5,5 bilhões no mês e R$ 94,3 bilhões no ano, e rombo recorde das estatais. A projeção da IFI só aparece no G1. Ficaram de fora a melhora do déficit de setembro sobre o ano anterior, o peso dos juros na alta da dívida e a dívida estável em relação a agosto.
Por que isso aconteceu
Segundo o Tesouro, a dívida pública federal subiu R$ 90,22 bilhões em setembro, para R$ 9,38 trilhões, e os juros apropriados (R$ 89,46 bilhões) responderam por 99,2% da alta, segundo o Poder360. A emissão líquida de títulos foi de apenas R$ 760 milhões. O custo médio da dívida em 12 meses subiu para 12,63% ao ano. Segundo a Agência Brasil, as despesas com juros do setor público somaram R$ 107,5 bilhões em setembro, contra R$ 84,7 bilhões um ano antes. O BC atribui o aumento ao resultado menos favorável dos swaps cambiais, ao crescimento do estoque da dívida e ao IPCA. Em 12 meses, os juros chegam a 8,99% do PIB. No fim de 2022 a dívida bruta era de 71,7% do PIB.
O que ficou de fora do texto do G1
- O déficit primário de setembro (R$ 5,5 bilhões) é menor que o de agosto (R$ 10 bilhões) e o de setembro de 2025 (R$ 17,5 bilhões) (Agência Brasil)
- O governo central teve superávit de R$ 3,5 bilhões em setembro pelo critério do BC; o déficit veio de estados, municípios e estatais (Gazeta do Povo Economia) (Agência Brasil)
- A dívida bruta ficou estável em 82,9% do PIB frente a agosto (Gazeta do Povo Economia) (Agência Brasil)
- Os juros foram responsáveis por 99,2% do aumento da dívida federal em setembro, e a emissão líquida de títulos foi de só R$ 760 milhões (Poder360)
- Os juros nominais do setor público somaram R$ 1,205 trilhão em 12 meses, 8,99% do PIB, contra 7,86% um ano antes (Agência Brasil)
- A dívida bruta era de 71,7% do PIB no fim de 2022 (Agência Brasil)
Como o G1 contou a história
O G1 abriu com o alarme do nível recorde da dívida e a previsão da IFI, e usou os Correios e as estatais para explicar o rombo. Foram ouvidos o diretor da IFI e uma economista do Insper, sem nenhuma voz do governo ou da oposição. As outras fontes dão mais peso aos juros como motor da dívida: R$ 89,46 bilhões dos R$ 90,22 bilhões da alta do mês. Também registram que a dívida ficou estável em setembro e que o déficit mensal caiu. A matéria mostra mais o problema do que a trajetória recente.
Afirmação por afirmação
Cada afirmação da matéria do G1, conferida em outros veículos e fontes oficiais.
- Confirmado
A dívida bruta chegou a 82,9% do PIB (R$ 11,1 trilhões) em setembro, alta de 4,3 pontos percentuais em 2026, o maior nível em mais de cinco anos.
Fontes: Gazeta do Povo Economia, Agência Brasil · A Agência Brasil mostra que a dívida está em 82,9% do PIB, o maior patamar desde 2021, com alta de 4,3 pontos no ano. A Gazeta do Povo traz os mesmos números e registra que o percentual ficou estável em relação a agosto. - Confirmado
O setor público teve déficit de R$ 5,5 bilhões em setembro, e o déficit do ano chegou a R$ 94,3 bilhões.
Fontes: Gazeta do Povo Economia, Agência Brasil · A Agência Brasil traz os dois valores, com base nas estatísticas fiscais do Banco Central. Também informa que o resultado de setembro melhorou frente aos R$ 17,5 bilhões de setembro de 2025. - Confirmado
As estatais federais acumulam prejuízo de R$ 8,5 bilhões de janeiro a setembro, o pior resultado desde o início da série, em 2002.
Fontes: Gazeta do Povo Economia · A Gazeta do Povo traz o mesmo valor e o recorde desde 2002, e diz que supera o recorde anual anterior de R$ 6,73 bilhões, de 2024. - Só o G1 publicou
O déficit das estatais tem sido puxado principalmente pelos Correios, que enfrentam grave crise financeira.
Fontes: Gazeta do Povo Economia · A Gazeta do Povo cita os Correios entre as empresas da série do BC, mas não diz que eles são o principal fator do déficit nem fala em crise financeira. - Só o G1 publicou
A IFI estima que a dívida chegue a 86% do PIB em 2027 e passe de 100% em 2032, e que medidas pré-eleitorais podem piorar as contas em R$ 40 bilhões em 2027, com ajuste necessário de cerca de R$ 430 bilhões.
Fontes: CNN Brasil · Nenhuma fonte numerada traz essas projeções. A CNN Brasil só lista uma matéria sobre a IFI pedindo urgência em plano fiscal, sem os números.
Fontes consultadas 5
- 1g1Dívida pública brasileira está no nível mais alto em 5 anosg1.globo.com
- 2Gazeta do Povo EconomiaDívida pública federal chega a R$ 9,38 trilhões; rombo das estatais bate recordegazetadopovo.com.br
- 3Agência BrasilDívida pública fica em 82,9% do PIB, e déficit soma R$ 5,5 bilhõesagenciabrasil.ebc.com.br
- 4Poder360Com rombo de R$ 90,2 bi em setembro, dívida pública bate R$ 9,38 tripoder360.com.br
- 5CNN BrasilDívida pública federal sobe 0,97% e chega a R$ 9,38 trilhões em setembrocnnbrasil.com.br
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