Mpox no Rio: casos subiram, mas a capital está mesmo sem vacina?
Casos na capital foram de 10 para 74 entre setembro e outubro. O Ministério diz ter reforçado as doses enviadas, mas a falta de vacina na cidade não foi confirmada.
Parte das informações foi confirmada; o restante segue em apuração e está sinalizado no texto. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

Os casos de Mpox no Rio de Janeiro passaram de 10 para 74 em setembro e outubro, na comparação com o mesmo período de 2025. Os dados são do Observatório Epidemiológico municipal, citados pela CNN Brasil, pelo g1 e pela VEJA. Já o g1 afirma, na manchete, que a capital está sem vacina contra a doença, e o Ministério da Saúde diz ter reforçado o envio de doses ao estado. A checagem confirma os números de casos, mas não confirma a falta de vacina na capital.
O que se confirma
Os números de casos aparecem em fontes independentes. Setembro teve 45 registros, o maior número mensal em três anos, e outubro somou 29 até o levantamento. Como os dados são parciais, o total pode mudar nas próximas atualizações.
Dez pessoas estão internadas no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (Fiocruz), em Manguinhos, segundo o g1 e a VEJA.
Leia tambémImplanon agora vale cinco anos: quem já usa precisa trocar?O Ministério da Saúde afirma ter reforçado o volume de vacinas enviado ao Rio, conforme a VEJA e o Metrópoles. Em declaração citada pela VEJA, o ministro Alexandre Padilha disse:
“Reforçamos o volume de vacinas para o Rio de Janeiro para o controle dos casos atuais, assim como a preparação para as concentrações de final de ano. A vacinação permanece direcionada aos grupos recomendados.”
Em linhas gerais, as fontes citam como público da vacina pessoas que vivem com HIV com imunossupressão grave, profissionais de laboratório que trabalham com o vírus e pessoas com contato de risco com casos suspeitos ou confirmados. A CNN Brasil e o Metrópoles detalham esses grupos de forma diferente, com recortes de idade e de risco, por isso a elegibilidade deve ser confirmada no serviço de saúde.
Sobre a transmissão, as reportagens da CNN Brasil, do g1 e da VEJA dizem que ela ocorre por contato direto com lesões, fluidos corporais e secreções, e também por objetos contaminados. Segundo elas, o contato sexual pode favorecer a transmissão.
Os sintomas descritos nas reportagens são febre, dores no corpo, dor de cabeça, aumento dos gânglios linfáticos e lesões na pele que podem evoluir para bolhas e crostas. Essa lista aparece, em conjunto, nas quatro fontes, mas cada uma destaca pontos diferentes.
O que não está confirmado
O g1 afirma, na manchete, que a capital está sem vacina contra a Mpox. No texto consultado, essa frase não aparece, e nenhuma outra fonte consultada confirma a falta de vacina na cidade.
O Ministério diz ter reforçado o envio de doses ao Rio, mas nas fontes consultadas não há informação sobre se a oferta na capital foi suspensa. Por isso, a checagem não confirma que a cidade esteja sem vacina e não encontrou registro de ruptura de estoque.
Os dados estaduais, com 211 casos confirmados em 2026 contra 119 em todo o ano passado e 119 suspeitos em investigação, aparecem apenas no g1. Ainda não há confirmação independente.
A CNN Brasil informa que a vacina deve ser aplicada em até 4 dias após o contato com caso infectado, ou em até 14 dias se não houver sintomas. Como nenhuma outra fonte consultada traz esse prazo, a orientação deve ser conferida com a Secretaria de Saúde antes de qualquer decisão.
Contexto
Os dados nacionais têm confirmação em duas fontes. A VEJA e o Metrópoles informam 665 casos no Brasil em 2026. Padilha comparou a situação com o surto de 2022, quando, segundo ele, o país chegou a quase 11 mil infectados, e afirmou:
“É importante esclarecer que a situação atual, com 665 casos da doença no Brasil no ano, é bem diferente do surto enfrentado em 2022, quando chegamos a quase 11 mil pessoas infectadas, 1.527% a mais.”
O deputado federal Daniel Soranz (PSD), ex-secretário municipal de Saúde do Rio e presidente da Frente Parlamentar da Vacina, cobra mais compras. Ao g1, ele disse:
“A compra da vacina monkeypox é essencial para evitar a disseminação da doença e garantir a proteção dos grupos mais vulneráveis.”
Na leitura do Use a Lógica, a divergência é de tom: o ministro fala em controle de um cenário que não é surto, enquanto o parlamentar pede mais compras. Essa leitura é do portal, e não uma posição das fontes. Para o infectologista Celso Ferreira Ramos Filho, ouvido pelo g1, a orientação para quem teve sintomas é procurar atendimento médico logo.
O que ainda não se sabe
- Não há informação sobre quantas doses o governo federal e o estadual anunciaram nem sobre as datas de chegada dos novos lotes.
- Não há previsão de quando a vacinação volta a ser ofertada na capital.
- Não se sabe se há falta de vacina na capital nem qual seria a causa.
- As fontes consultadas não trazem o perfil dos casos (idade, sexo e grupo de exposição) nem as medidas de prevenção recomendadas pela Secretaria Municipal de Saúde.
O que checamos
Cada afirmação desta matéria foi conferida em fontes independentes antes da publicação.
- Confirmado
A cidade do Rio registrou 74 casos de Mpox em setembro e outubro de 2026, segundo o Observatório Epidemiológico municipal.
Fontes: CNN Brasil, g1, VEJA, Metrópoles · CNN, g1 e VEJA citam o Observatório Epidemiológico; o Metrópoles traz o mesmo total de 74 casos. - Confirmado
Setembro teve 45 casos, o maior número mensal em três anos; outubro teve 29 até o levantamento.
Fontes: CNN Brasil, g1, VEJA · CNN, g1 e VEJA trazem 45 e 29; g1 e VEJA citam o recorde em três anos. - Confirmado
No mesmo período de 2025 foram registrados 10 casos, ou seja, cerca de sete vezes menos.
Fontes: CNN Brasil, g1, VEJA · Três veículos citam 10 casos em 2025. CNN diz sete vezes e VEJA, mais de sete vezes (74/10 = 7,4). - Confirmado
Dez pessoas estão internadas no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (Fiocruz), em Manguinhos.
Fontes: g1, VEJA · g1 e VEJA informam dez internados no Evandro Chagas, em Manguinhos. - Só uma fonte
No estado do Rio há 211 casos confirmados em 2026, contra 119 em todo o ano passado, e 119 suspeitos em investigação.
Fontes: g1 · Só o g1 traz os números estaduais; deve ir atribuído ao g1.
Fontes consultadas 4
- 1CNN BrasilRio de Janeiro registra 74 casos de Mpox em dois mesescnnbrasil.com.br
- 2g1Casos de Mpox aumentam 7 vezes no Rio em dois meses; capital está sem vacina contra a doençag1.globo.com
- 3VEJAMpox: casos disparam no Rio, e governo anuncia reforço de vacinasveja.abril.com.br
- 4MetrópolesMpox: governo reforça volume de vacina no Rio para lidar com alta de casosmetropoles.com
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