quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Análise da Verdade

PEC da Segurança passou, mas o G1 deixou de fora a reação da oposição à maioridade penal

Os fatos do G1 se confirmam. Faltou a versão de Rogério Marinho e da oposição, que dizem ter sido cerceados na votação das emendas sobre maioridade penal.

Por Redação Use a Lógica
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Faltou contexto

Os fatos publicados pelo G1 se confirmam, mas outras fontes trazem informação que muda a leitura e não estava no texto. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

Arte da seção G1: Análise da Verdade
Foto: Arte/Use a Lógica

Os fatos centrais do G1 se confirmam: o Senado aprovou a PEC em dois turnos, sem as emendas da maioridade penal, por 38 a 36 na separação das emendas.

O texto deixa de fora a reação da oposição, que se disse cerceada, e a retirada do trecho das bets feita na CCJ.

Também não diz que o próprio Lula já se declarou favorável a reduzir a maioridade em crimes hediondos.

Por que isso aconteceu

A PEC, enviada pelo Executivo em abril de 2025, foi aprovada na Câmara em março deste ano.

O relator, Rogério Carvalho, defendeu a retirada das emendas por considerar a maioridade penal tema estranho ao texto.

Plenário do Senado Federal em sessão deliberativa, com senador discursando diante da bancadaLeia tambémG1 contou o placar de 38 a 36, mas não disse que a PEC foi aprovada sem nenhum voto contra

Segundo a Agência Senado, ele apontou forte divergência doutrinária e política e lembrou que a Câmara criou, em agosto, uma comissão especial sobre o assunto.

Ele também afirmou que qualquer mudança faria o texto voltar à Câmara e atrasaria a promulgação.

O governo mobilizou seus líderes para aprovar a proposta sem a maioridade penal, segundo O Antagonista.

Lula já se declarou favorável a reduzir para 16 anos nos crimes hediondos, mas quer o tema em proposta própria.

Davi Alcolumbre disse que vai dar celeridade às novas PECs, aguardando um requerimento de calendário especial.

O outro lado

Segundo a Agência Senado, o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), discordou de que o tema fosse um "jabuti", pois a maioridade penal faz parte da segurança pública.

Ele criticou o fatiamento: para ele, o Plenário ficaria "cerceado" e "emudecido", com o assunto empurrado para adiante.

Carlos Portinho e Efraim Filho (PL-PB) também protestaram.

Efraim chamou de "inadmissível" que se retire dos senadores a prerrogativa do mandato.

Segundo a Revista Oeste, PL, Progressistas, Republicanos, PSDB e Podemos orientaram voto contra a retirada das emendas.

O Antagonista afirma que a oposição tentou impedir o desmembramento e perdeu por dois votos.

O que ficou de fora do texto do G1

  • O líder da oposição, Rogério Marinho, e os senadores Carlos Portinho e Efraim Filho protestaram contra o desmembramento e disseram que o Plenário foi cerceado (Agência Senado)
  • PL, Progressistas, Republicanos, PSDB e Podemos orientaram voto contra a retirada das emendas; PT, PSD, MDB, PSB e União Brasil orientaram a favor (Revista Oeste)
  • Alessandro Vieira (MDB-SE) disse haver consenso sobre mudar a maioridade, apoiado até por Lula, e defendeu votar as emendas (Agência Senado)
  • Lula já se declarou favorável à redução para 16 anos em crimes hediondos, mas quer o tema em proposta própria (O Antagonista)
  • Na CCJ, o relator retirou o trecho que destinava de 10% a 30% da arrecadação das bets aos fundos de segurança, e manteve 10% do superávit do Fundo Social (O Antagonista)
  • Uma emenda de Carlos Portinho (PL-RJ), que prevê ressarcir as Forças Armadas em operações de GLO com recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública, foi aprovada por 67 a 0 (O Antagonista)

Como o G1 contou a história

O G1 abre com a versão do governo: destaca que o relator petista seguiu a orientação do Planalto, chama a aprovação de "vitória do governo" e ouve apenas Eduardo Braga e a líder do governo, Teresa Leitão.

A oposição aparece só como autora de uma emenda, sem voz.

Já a Agência Senado dá espaço às críticas de Rogério Marinho, Portinho e Efraim Filho, e a Revista Oeste informa quais partidos votaram contra a retirada das emendas.

O Antagonista também fala em vitória do Planalto, mas registra que a oposição perdeu por dois votos.

O G1 também não menciona a mudança no trecho das bets nem a divisão dentro do PT, e traz pouco sobre o debate jurídico em torno da maioridade penal.

Afirmação por afirmação

Cada afirmação da matéria do G1, conferida em outros veículos e fontes oficiais.

6 confirmado
  1. Confirmado

    O Senado aprovou a PEC da Segurança Pública por unanimidade, em dois turnos, e ela segue para promulgação.

    Fontes: Revista Oeste, O Antagonista, Agência Senado, Agência Brasil · A Agência Senado e a Agência Brasil registram 73 votos a 0 no primeiro turno e 75 a 0 no segundo, e dizem que o texto segue para promulgação. A Revista Oeste e O Antagonista trazem os mesmos números.
  2. Confirmado

    Por 38 votos a 36, os senadores decidiram tratar a maioridade penal em PECs separadas, em outro momento.

    Fontes: Revista Oeste, O Antagonista, Agência Senado, Agência Brasil · A Agência Senado mostra o desmembramento aprovado por 38 a 36. A Revista Oeste e O Antagonista acrescentam uma abstenção e dizem que os requerimentos eram do relator.
  3. Confirmado

    O relator, Rogério Carvalho (PT), seguiu a orientação do governo e manteve o texto da Câmara, sem as propostas de reduzir a maioridade penal.

    Fontes: Agência Senado, Agência Brasil · A Agência Brasil diz que o texto repete o da Câmara. A Agência Senado traz a justificativa do relator: o tema seria estranho à PEC e uma mudança obrigaria o texto a voltar à Câmara.
  4. Confirmado

    A emenda da oposição previa maioridade de 16 anos para a maioria dos crimes e 14 para crimes hediondos. A de Camilo Santana (PT) previa 16 anos só para hediondos.

    Fontes: O Antagonista, Agência Senado, Agência Brasil · A Agência Senado e a Agência Brasil descrevem as emendas de Rogério Marinho (PL-RN) e de Camilo Santana nesses termos. Elas listam também tortura, terrorismo e organizações criminosas entre os casos de 14 anos.
  5. Confirmado

    A PEC amplia as atribuições da PF, expande a PRF a hidrovias e ferrovias, põe o SUSP na Constituição, permite polícias municipais e endurece as regras para chefes de facções.

    Fontes: Revista Oeste, O Antagonista, Agência Senado, Agência Brasil · A Revista Oeste, O Antagonista, a Agência Senado e a Agência Brasil trazem SUSP, PRF, polícias municipais e regras mais duras para facções. Nenhuma das fontes numeradas menciona a ampliação das atribuições da PF.

Fontes consultadas 5

  1. 1g1Senado aprova PEC da Segurança Pública sem texto que trata da maioridade penalg1.globo.com
  2. 2Revista OesteSem redução da maioridade penal, Senado aprova PEC da Segurança Públicarevistaoeste.com
  3. 3O AntagonistaSenado aprova PEC da Segurança sem maioridade de 14 anos e dá vitória a Lulaoantagonista.com.br
  4. 4Agência SenadoSenado aprova PEC da Segurança Pública sem redução da maioridade penalwww12.senado.leg.br
  5. 5Agência BrasilSenado aprova PEC da Segurança Pública sem redução da maioridade penalagenciabrasil.ebc.com.br

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