PEC da Segurança passou, mas o G1 deixou de fora a reação da oposição à maioridade penal
Os fatos do G1 se confirmam. Faltou a versão de Rogério Marinho e da oposição, que dizem ter sido cerceados na votação das emendas sobre maioridade penal.
Os fatos publicados pelo G1 se confirmam, mas outras fontes trazem informação que muda a leitura e não estava no texto. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

Os fatos centrais do G1 se confirmam: o Senado aprovou a PEC em dois turnos, sem as emendas da maioridade penal, por 38 a 36 na separação das emendas.
O texto deixa de fora a reação da oposição, que se disse cerceada, e a retirada do trecho das bets feita na CCJ.
Também não diz que o próprio Lula já se declarou favorável a reduzir a maioridade em crimes hediondos.
Por que isso aconteceu
A PEC, enviada pelo Executivo em abril de 2025, foi aprovada na Câmara em março deste ano.
O relator, Rogério Carvalho, defendeu a retirada das emendas por considerar a maioridade penal tema estranho ao texto.
Leia tambémG1 contou o placar de 38 a 36, mas não disse que a PEC foi aprovada sem nenhum voto contraSegundo a Agência Senado, ele apontou forte divergência doutrinária e política e lembrou que a Câmara criou, em agosto, uma comissão especial sobre o assunto.
Ele também afirmou que qualquer mudança faria o texto voltar à Câmara e atrasaria a promulgação.
O governo mobilizou seus líderes para aprovar a proposta sem a maioridade penal, segundo O Antagonista.
Lula já se declarou favorável a reduzir para 16 anos nos crimes hediondos, mas quer o tema em proposta própria.
Davi Alcolumbre disse que vai dar celeridade às novas PECs, aguardando um requerimento de calendário especial.
O outro lado
Segundo a Agência Senado, o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), discordou de que o tema fosse um "jabuti", pois a maioridade penal faz parte da segurança pública.
Ele criticou o fatiamento: para ele, o Plenário ficaria "cerceado" e "emudecido", com o assunto empurrado para adiante.
Carlos Portinho e Efraim Filho (PL-PB) também protestaram.
Efraim chamou de "inadmissível" que se retire dos senadores a prerrogativa do mandato.
Segundo a Revista Oeste, PL, Progressistas, Republicanos, PSDB e Podemos orientaram voto contra a retirada das emendas.
O Antagonista afirma que a oposição tentou impedir o desmembramento e perdeu por dois votos.
O que ficou de fora do texto do G1
- O líder da oposição, Rogério Marinho, e os senadores Carlos Portinho e Efraim Filho protestaram contra o desmembramento e disseram que o Plenário foi cerceado (Agência Senado)
- PL, Progressistas, Republicanos, PSDB e Podemos orientaram voto contra a retirada das emendas; PT, PSD, MDB, PSB e União Brasil orientaram a favor (Revista Oeste)
- Alessandro Vieira (MDB-SE) disse haver consenso sobre mudar a maioridade, apoiado até por Lula, e defendeu votar as emendas (Agência Senado)
- Lula já se declarou favorável à redução para 16 anos em crimes hediondos, mas quer o tema em proposta própria (O Antagonista)
- Na CCJ, o relator retirou o trecho que destinava de 10% a 30% da arrecadação das bets aos fundos de segurança, e manteve 10% do superávit do Fundo Social (O Antagonista)
- Uma emenda de Carlos Portinho (PL-RJ), que prevê ressarcir as Forças Armadas em operações de GLO com recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública, foi aprovada por 67 a 0 (O Antagonista)
Como o G1 contou a história
O G1 abre com a versão do governo: destaca que o relator petista seguiu a orientação do Planalto, chama a aprovação de "vitória do governo" e ouve apenas Eduardo Braga e a líder do governo, Teresa Leitão.
A oposição aparece só como autora de uma emenda, sem voz.
Já a Agência Senado dá espaço às críticas de Rogério Marinho, Portinho e Efraim Filho, e a Revista Oeste informa quais partidos votaram contra a retirada das emendas.
O Antagonista também fala em vitória do Planalto, mas registra que a oposição perdeu por dois votos.
O G1 também não menciona a mudança no trecho das bets nem a divisão dentro do PT, e traz pouco sobre o debate jurídico em torno da maioridade penal.
Afirmação por afirmação
Cada afirmação da matéria do G1, conferida em outros veículos e fontes oficiais.
- Confirmado
O Senado aprovou a PEC da Segurança Pública por unanimidade, em dois turnos, e ela segue para promulgação.
Fontes: Revista Oeste, O Antagonista, Agência Senado, Agência Brasil · A Agência Senado e a Agência Brasil registram 73 votos a 0 no primeiro turno e 75 a 0 no segundo, e dizem que o texto segue para promulgação. A Revista Oeste e O Antagonista trazem os mesmos números. - Confirmado
Por 38 votos a 36, os senadores decidiram tratar a maioridade penal em PECs separadas, em outro momento.
Fontes: Revista Oeste, O Antagonista, Agência Senado, Agência Brasil · A Agência Senado mostra o desmembramento aprovado por 38 a 36. A Revista Oeste e O Antagonista acrescentam uma abstenção e dizem que os requerimentos eram do relator. - Confirmado
O relator, Rogério Carvalho (PT), seguiu a orientação do governo e manteve o texto da Câmara, sem as propostas de reduzir a maioridade penal.
Fontes: Agência Senado, Agência Brasil · A Agência Brasil diz que o texto repete o da Câmara. A Agência Senado traz a justificativa do relator: o tema seria estranho à PEC e uma mudança obrigaria o texto a voltar à Câmara. - Confirmado
A emenda da oposição previa maioridade de 16 anos para a maioria dos crimes e 14 para crimes hediondos. A de Camilo Santana (PT) previa 16 anos só para hediondos.
Fontes: O Antagonista, Agência Senado, Agência Brasil · A Agência Senado e a Agência Brasil descrevem as emendas de Rogério Marinho (PL-RN) e de Camilo Santana nesses termos. Elas listam também tortura, terrorismo e organizações criminosas entre os casos de 14 anos. - Confirmado
A PEC amplia as atribuições da PF, expande a PRF a hidrovias e ferrovias, põe o SUSP na Constituição, permite polícias municipais e endurece as regras para chefes de facções.
Fontes: Revista Oeste, O Antagonista, Agência Senado, Agência Brasil · A Revista Oeste, O Antagonista, a Agência Senado e a Agência Brasil trazem SUSP, PRF, polícias municipais e regras mais duras para facções. Nenhuma das fontes numeradas menciona a ampliação das atribuições da PF.
Fontes consultadas 5
- 1g1Senado aprova PEC da Segurança Pública sem texto que trata da maioridade penalg1.globo.com
- 2Revista OesteSem redução da maioridade penal, Senado aprova PEC da Segurança Públicarevistaoeste.com
- 3O AntagonistaSenado aprova PEC da Segurança sem maioridade de 14 anos e dá vitória a Lulaoantagonista.com.br
- 4Agência SenadoSenado aprova PEC da Segurança Pública sem redução da maioridade penalwww12.senado.leg.br
- 5Agência BrasilSenado aprova PEC da Segurança Pública sem redução da maioridade penalagenciabrasil.ebc.com.br
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