G1 contou o placar de 38 a 36, mas não disse que a PEC foi aprovada sem nenhum voto contra
Os fatos do G1 conferem, mas a matéria parou antes do fim: a PEC passou por 73 e 75 votos a 0 e a direita protestou contra o fatiamento.
Os fatos publicados pelo G1 se confirmam, mas outras fontes trazem informação que muda a leitura e não estava no texto. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

O que o G1 publicou se confirma: o plenário decidiu, por 38 a 36, separar as emendas da maioridade penal da PEC da Segurança.
Mas o texto não traz o resultado final, a aprovação em dois turnos sem voto contrário, nem os protestos da oposição ouvidos nas outras fontes.
Há ainda detalhes a ajustar, como o fato de o G1 falar em votação futura quando a PEC já havia sido aprovada.
Por que isso aconteceu
O governo e o relator Rogério Carvalho (PT-SE) argumentaram que a maioridade penal é tema estranho à PEC, o chamado "jabuti", e que a Câmara já tem comissão especial sobre o assunto desde agosto.
Se as emendas fossem aprovadas, o texto voltaria à Câmara, o que atrasaria a promulgação e a criação do Ministério da Segurança Pública, segundo a Agência Senado e O Antagonista.
Leia tambémImposto do pecado: o G1 acertou no envio da MP, mas deixou de fora a PEC e o atrasoO desmembramento passou por 38 a 36.
PT, PSD, MDB, PSB e União Brasil orientaram a favor, e PL, Progressistas, Republicanos, PSDB e Podemos orientaram contra, segundo a Revista Oeste.
Alcolumbre disse que aguardará um requerimento de calendário especial para votar as PECs paralelas.
O outro lado
Segundo a Agência Senado, o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), discordou de que o tema fosse "jabuti", pois a maioridade penal faz parte da segurança pública, e disse que o fatiamento deixa o Plenário "cerceado" e "emudecido".
Efraim Filho (PL-PB) chamou de "esdrúxulo" o argumento de matéria estranha e Carlos Portinho (PL-RJ) também protestou, pedindo a votação das emendas em Plenário.
Pela Revista Oeste, o PL e outros partidos orientaram voto contra a retirada.
O que ficou de fora do texto do G1
- A PEC foi aprovada por unanimidade, com 73 votos a 0 no primeiro turno e 75 a 0 no segundo (Agência Brasil) (Agência Senado)
- Marinho disse que o fatiamento "cerceia" o Plenário e adia a discussão; Efraim Filho chamou de "esdrúxulo" o argumento do jabuti (Agência Senado)
- PL, Progressistas, Republicanos, PSDB e Podemos orientaram voto contra a retirada das emendas; PT, PSD, MDB, PSB e União Brasil, a favor (Revista Oeste)
- Alessandro Vieira (MDB-SE) defendeu votar as emendas e lembrou que Lula apoia mudanças na maioridade (Agência Senado)
- Alcolumbre se comprometeu a dar celeridade às PECs paralelas, mas só depois de um requerimento de calendário especial (Agência Senado)
- A Câmara criou em agosto uma comissão especial sobre a maioridade penal (Agência Senado)
Como o G1 contou a história
O G1 pôs no título que o Senado decidiu votar a PEC "sem discutir" a maioridade, e dedicou boa parte do texto à estratégia do governo e ao cálculo sobre a maioria do PL em 2027, ponto que não aparece nas outras fontes.
A Agência Senado e a Revista Oeste dão mais espaço às falas da oposição, como as de Marinho e Efraim Filho, e ao resultado final da votação, de 73 e 75 votos a zero, ausente no texto do G1.
O G1 cita Portinho só pela abstenção e pela retificação do voto, sem trazer os argumentos da oposição.
Afirmação por afirmação
Cada afirmação da matéria do G1, conferida em outros veículos e fontes oficiais.
- Confirmado
O plenário do Senado aprovou, por 38 votos a 36, requerimentos que mandam as emendas da maioridade penal tramitar separadas da PEC.
Fontes: Revista Oeste, Agência Brasil, Agência Senado · A Revista Oeste, a Agência Brasil e a Agência Senado registram o mesmo placar de 38 a 36 para o desmembramento das emendas. - Impreciso
A emenda do PL reduz a maioridade para 16 anos em crimes de menor gravidade e para 14 nos hediondos; a do PT, para 16 anos só nos hediondos.
Fontes: Revista Oeste, Agência Brasil, Agência Senado · Segundo a Agência Senado e a Agência Brasil, a emenda de Marinho fixava 16 anos como regra geral e 14 para hediondos, tortura, tráfico, terrorismo e organizações criminosas, não só para hediondos. A descrição da emenda do PT confere. - Confirmado
A mudança foi proposta pelo relator Rogério Carvalho (PT-SE), e o governo trabalhou para rejeitar o destaque do PL.
Fontes: O Antagonista, Agência Brasil, Agência Senado · A Agência Brasil e a Agência Senado mostram que o relator propôs a tramitação separada. O Antagonista traz o ministro José Guimarães dizendo que o relator não acataria emenda alguma. - Confirmado
O Senado vai votar a PEC em dois turnos e, se aprovada, ela vai à promulgação pelo Congresso.
Fontes: Revista Oeste, Agência Brasil, Agência Senado · A Agência Brasil e a Agência Senado informam que a PEC foi aprovada nos dois turnos, com 73 e 75 votos favoráveis e nenhum contrário, e segue para promulgação. - Impreciso
Alcolumbre se comprometeu a votar a PEC da maioridade que tramita na Câmara assim que os deputados a aprovarem, e a estratégia é votar neste ano para evitar uma maioria do PL em 2027.
Fontes: Agência Senado · A Agência Senado mostra que Alcolumbre prometeu celeridade às PECs paralelas e aguarda requerimento de calendário especial, sem citar a PEC da Câmara nem o motivo de 2027. Essa estratégia só aparece no G1.
Fontes consultadas 5
- 1g1Senado Federal decide votar PEC da Segurança sem discutir redução da maioridade penalg1.globo.com
- 2O AntagonistaGoverno quer PEC da Segurança sem redução da maioridade penaloantagonista.com.br
- 3Revista OesteSem redução da maioridade penal, Senado aprova PEC da Segurança Públicarevistaoeste.com
- 4Agência BrasilSenado aprova PEC da Segurança Pública sem redução da maioridade penalagenciabrasil.ebc.com.br
- 5Agência SenadoSenado aprova PEC da Segurança Pública sem redução da maioridade penalwww12.senado.leg.br
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