terça-feira, 3 de novembro de 2026
Análise da Verdade

Imposto do pecado: o G1 acertou no envio da MP, mas deixou de fora a PEC e o atraso

Os fatos centrais do G1 se confirmam. Ficaram de fora a PEC para manter o IPI, o custo do atraso (cerca de R$ 3,8 bi) e a comparação de Durigan com o projeto de Guedes.

Por Redação Use a Lógica
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Faltou contexto

Os fatos publicados pelo G1 se confirmam, mas outras fontes trazem informação que muda a leitura e não estava no texto. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

Fernando Haddad em cerimônia de posse como ministro da Fazenda, em janeiro de 2023.
Fernando Haddad é empossado como ministro da Fazenda em cerimônia no Palácio do Planalto (foto de arquivo, 2023). Foto: Palácio do Planalto from Brasilia, Brasil (CC BY 2.0), via Wikimedia Commons

O que o G1 publicou se confirma: Durigan disse que a MP do Imposto Seletivo pode ir ao Congresso nesta terça, com a carga de 2027 mantida e aumento possível a partir de 2028.

O texto não conta que o governo também estuda uma PEC para manter o IPI e que a MP foi adiada para depois do segundo turno, o que gera um período sem cobrança e perda estimada de arrecadação.

Por que isso aconteceu

O Imposto Seletivo foi criado pela reforma tributária para desestimular o consumo de produtos nocivos à saúde e ao meio ambiente.

Segundo o InfoMoney, a lei exige 90 dias entre a publicação da norma e a cobrança.

Para valer em janeiro, a MP teria de ter saído até 2 de outubro, mas o governo adiou a decisão para depois do segundo turno presidencial.

Retrato oficial de Dario Durigan, homem de terno e gravata em fundo neutroLeia tambémG1 destacou o 'mercado em pânico', mas Durigan disse que não há motivo para medo

Por isso, a Fazenda negociou com fabricantes de bebidas, cigarros e automóveis para evitar aumento imediato.

Segundo a Agência Brasil, o acordo prevê manter o IPI em janeiro e começar o Imposto Seletivo em fevereiro, o que exige uma PEC.

Durigan diz que o modelo permanente seguirá em debate no Congresso ao longo de 2027.

O outro lado

A Revista Oeste, veículo de direita, destaca que o governo Lula "prepara cobrança" de um novo imposto.

Segundo a Gazeta do Povo, o presidente do PT, Edinho Silva, diz que não há discussão interna sobre novos tributos.

O foco, segundo ele, é a reforma da renda e a revisão de desonerações.

As fontes não trazem a resposta de Flávio Bolsonaro ou da oposição sobre a MP.

O que ficou de fora do texto do G1

  • O governo também pretende enviar ao Congresso uma PEC para prorrogar o IPI nesses setores, e ela precisa de três quintos dos votos em cada Casa, em dois turnos (Agência Brasil) (InfoMoney)
  • Para cumprir o prazo de janeiro, a MP teria de ter sido editada até 2 de outubro, mas o governo adiou a decisão para depois do segundo turno (InfoMoney)
  • Sem a PEC, o IPI será zerado em janeiro e haverá um período sem nenhum dos dois tributos, com perda estimada de R$ 3,82 bilhões, segundo a Folha de S.Paulo citada pelo InfoMoney (InfoMoney)
  • Os percentuais das alíquotas ainda não foram divulgados (InfoMoney)
  • Haverá ajustes na base de cálculo por causa da inclusão do ICMS na composição do IPI (Revista Oeste) (Agência Brasil)
  • Durigan disse que a alíquota fica abaixo da proposta de Paulo Guedes e que o Congresso poderá rever exceções para reduzir a alíquota (Agência Brasil) (InfoMoney)

Como o G1 contou a história

O G1 contou a história pela declaração do ministro e dedicou boa parte do texto a dados de saúde pública (Fiocruz, Ministério da Saúde) e à posição dos produtores de bebidas, que dizem já pagar muito imposto.

Ficaram de fora o atraso na edição da MP, a PEC necessária para manter o IPI e a perda de arrecadação estimada, que InfoMoney e Agência Brasil trazem.

A Revista Oeste dá mais peso à criação de um novo tributo pelo governo Lula, enquanto o G1 destaca o objetivo de manter a carga atual em 2027.

Afirmação por afirmação

Cada afirmação da matéria do G1, conferida em outros veículos e fontes oficiais.

5 confirmado1 impreciso
  1. Confirmado

    Durigan disse que a MP do imposto seletivo pode ser enviada ao Congresso ainda nesta terça (3), depois de despachar com Lula.

    Fontes: Revista Oeste, Agência Brasil, InfoMoney · A Agência Brasil e a Revista Oeste trazem a mesma declaração do ministro, com o texto discutido com Lula antes do envio. O InfoMoney diz que a Fazenda já encaminhou o texto ao Planalto.
  2. Confirmado

    A proposta mantém em 2027 a carga tributária atual sobre os produtos nocivos, por acordo com os setores afetados.

    Fontes: Revista Oeste, Agência Brasil, InfoMoney · A Revista Oeste cita Durigan dizendo que os setores têm acordo para manter a carga do IPI. A Agência Brasil e o InfoMoney confirmam o acordo e a carga semelhante à do IPI.
  3. Confirmado

    A partir de 2028 a ideia é que a taxação aumente.

    Fontes: InfoMoney · O InfoMoney diz que, a partir de 2028, as alíquotas poderão ser elevadas. A Agência Brasil afirma que o modelo permanente seguirá em discussão no Congresso ao longo de 2027.
  4. Impreciso

    Por causa da noventena, o IPI continuará sendo cobrado nesse meio tempo, provavelmente até fevereiro de 2027, para evitar perda de arrecadação.

    Fontes: Revista Oeste, Agência Brasil, InfoMoney · As fontes confirmam a manutenção temporária do IPI em janeiro e o início do Imposto Seletivo em fevereiro. Segundo elas, isso depende de uma PEC ainda por aprovar. O InfoMoney diz que o IPI será zerado em janeiro para a maior parte dos produtos se nada mudar, com perda estimada de R$ 3,82 bilhões.
  5. Confirmado

    A equipe econômica estima arrecadar R$ 41,9 bilhões com o tributo em 2027, segundo a proposta de Orçamento.

    Fontes: InfoMoney · O InfoMoney traz a mesma previsão de R$ 41,9 bilhões no PLOA de 2027. Ressalva que o número considera o calendário inicial de implantação.

Fontes consultadas 5

  1. 1g1Ministro da Fazenda diz que proposta para o imposto do pecado pode ser enviada hoje ao Congresso; objetivo é manter carga atual em 2027g1.globo.com
  2. 2Revista OesteGoverno Lula prepara cobrança do ‘imposto do pecado’revistaoeste.com
  3. 3Gazeta do PovoEdinho Silva descarta impeachment de ministros e novos impostos no governo Lulagazetadopovo.com.br
  4. 4Agência BrasilGoverno quer enviar MP do Imposto Seletivo ainda hoje ao Congressoagenciabrasil.ebc.com.br
  5. 5InfoMoneyDurigan prevê alíquota menor para ‘imposto do pecado’, mas cobrança atrasa para 2027infomoney.com.br

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