Imposto do pecado: o G1 acertou no envio da MP, mas deixou de fora a PEC e o atraso
Os fatos centrais do G1 se confirmam. Ficaram de fora a PEC para manter o IPI, o custo do atraso (cerca de R$ 3,8 bi) e a comparação de Durigan com o projeto de Guedes.
Os fatos publicados pelo G1 se confirmam, mas outras fontes trazem informação que muda a leitura e não estava no texto. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

O que o G1 publicou se confirma: Durigan disse que a MP do Imposto Seletivo pode ir ao Congresso nesta terça, com a carga de 2027 mantida e aumento possível a partir de 2028.
O texto não conta que o governo também estuda uma PEC para manter o IPI e que a MP foi adiada para depois do segundo turno, o que gera um período sem cobrança e perda estimada de arrecadação.
Por que isso aconteceu
O Imposto Seletivo foi criado pela reforma tributária para desestimular o consumo de produtos nocivos à saúde e ao meio ambiente.
Segundo o InfoMoney, a lei exige 90 dias entre a publicação da norma e a cobrança.
Para valer em janeiro, a MP teria de ter saído até 2 de outubro, mas o governo adiou a decisão para depois do segundo turno presidencial.
Leia tambémG1 destacou o 'mercado em pânico', mas Durigan disse que não há motivo para medoPor isso, a Fazenda negociou com fabricantes de bebidas, cigarros e automóveis para evitar aumento imediato.
Segundo a Agência Brasil, o acordo prevê manter o IPI em janeiro e começar o Imposto Seletivo em fevereiro, o que exige uma PEC.
Durigan diz que o modelo permanente seguirá em debate no Congresso ao longo de 2027.
O outro lado
A Revista Oeste, veículo de direita, destaca que o governo Lula "prepara cobrança" de um novo imposto.
Segundo a Gazeta do Povo, o presidente do PT, Edinho Silva, diz que não há discussão interna sobre novos tributos.
O foco, segundo ele, é a reforma da renda e a revisão de desonerações.
As fontes não trazem a resposta de Flávio Bolsonaro ou da oposição sobre a MP.
O que ficou de fora do texto do G1
- O governo também pretende enviar ao Congresso uma PEC para prorrogar o IPI nesses setores, e ela precisa de três quintos dos votos em cada Casa, em dois turnos (Agência Brasil) (InfoMoney)
- Para cumprir o prazo de janeiro, a MP teria de ter sido editada até 2 de outubro, mas o governo adiou a decisão para depois do segundo turno (InfoMoney)
- Sem a PEC, o IPI será zerado em janeiro e haverá um período sem nenhum dos dois tributos, com perda estimada de R$ 3,82 bilhões, segundo a Folha de S.Paulo citada pelo InfoMoney (InfoMoney)
- Os percentuais das alíquotas ainda não foram divulgados (InfoMoney)
- Haverá ajustes na base de cálculo por causa da inclusão do ICMS na composição do IPI (Revista Oeste) (Agência Brasil)
- Durigan disse que a alíquota fica abaixo da proposta de Paulo Guedes e que o Congresso poderá rever exceções para reduzir a alíquota (Agência Brasil) (InfoMoney)
Como o G1 contou a história
O G1 contou a história pela declaração do ministro e dedicou boa parte do texto a dados de saúde pública (Fiocruz, Ministério da Saúde) e à posição dos produtores de bebidas, que dizem já pagar muito imposto.
Ficaram de fora o atraso na edição da MP, a PEC necessária para manter o IPI e a perda de arrecadação estimada, que InfoMoney e Agência Brasil trazem.
A Revista Oeste dá mais peso à criação de um novo tributo pelo governo Lula, enquanto o G1 destaca o objetivo de manter a carga atual em 2027.
Afirmação por afirmação
Cada afirmação da matéria do G1, conferida em outros veículos e fontes oficiais.
- Confirmado
Durigan disse que a MP do imposto seletivo pode ser enviada ao Congresso ainda nesta terça (3), depois de despachar com Lula.
Fontes: Revista Oeste, Agência Brasil, InfoMoney · A Agência Brasil e a Revista Oeste trazem a mesma declaração do ministro, com o texto discutido com Lula antes do envio. O InfoMoney diz que a Fazenda já encaminhou o texto ao Planalto. - Confirmado
A proposta mantém em 2027 a carga tributária atual sobre os produtos nocivos, por acordo com os setores afetados.
Fontes: Revista Oeste, Agência Brasil, InfoMoney · A Revista Oeste cita Durigan dizendo que os setores têm acordo para manter a carga do IPI. A Agência Brasil e o InfoMoney confirmam o acordo e a carga semelhante à do IPI. - Confirmado
A partir de 2028 a ideia é que a taxação aumente.
Fontes: InfoMoney · O InfoMoney diz que, a partir de 2028, as alíquotas poderão ser elevadas. A Agência Brasil afirma que o modelo permanente seguirá em discussão no Congresso ao longo de 2027. - Impreciso
Por causa da noventena, o IPI continuará sendo cobrado nesse meio tempo, provavelmente até fevereiro de 2027, para evitar perda de arrecadação.
Fontes: Revista Oeste, Agência Brasil, InfoMoney · As fontes confirmam a manutenção temporária do IPI em janeiro e o início do Imposto Seletivo em fevereiro. Segundo elas, isso depende de uma PEC ainda por aprovar. O InfoMoney diz que o IPI será zerado em janeiro para a maior parte dos produtos se nada mudar, com perda estimada de R$ 3,82 bilhões. - Confirmado
A equipe econômica estima arrecadar R$ 41,9 bilhões com o tributo em 2027, segundo a proposta de Orçamento.
Fontes: InfoMoney · O InfoMoney traz a mesma previsão de R$ 41,9 bilhões no PLOA de 2027. Ressalva que o número considera o calendário inicial de implantação.
Fontes consultadas 5
- 1g1Ministro da Fazenda diz que proposta para o imposto do pecado pode ser enviada hoje ao Congresso; objetivo é manter carga atual em 2027g1.globo.com
- 2Revista OesteGoverno Lula prepara cobrança do ‘imposto do pecado’revistaoeste.com
- 3Gazeta do PovoEdinho Silva descarta impeachment de ministros e novos impostos no governo Lulagazetadopovo.com.br
- 4Agência BrasilGoverno quer enviar MP do Imposto Seletivo ainda hoje ao Congressoagenciabrasil.ebc.com.br
- 5InfoMoneyDurigan prevê alíquota menor para ‘imposto do pecado’, mas cobrança atrasa para 2027infomoney.com.br
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