Dá para tabelar juros por decreto? Durigan diz que a ideia não está em avaliação
Economista propõe queda gradual da Selic de 13,75% para 7,5% em 12 meses. Para Durigan, a ideia é incipiente, e não há reunião marcada com Lula.
Parte das informações foi confirmada; o restante segue em apuração e está sinalizado no texto. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

O economista André Lara Resende propôs que a Selic caia de 13,75% para cerca de 7,5% ao ano em 12 meses.
A ideia foi publicada em artigo no Substack.
Segundo o Metrópoles, o mercado a leu como possível redução forçada da taxa pelo governo.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, nega que o tema esteja em avaliação.
A checagem confirmou a negativa sobre tabelar juros e não encontrou agenda entre Lula e Lara Resende.
Leia tambémMega da Virada 2026 terá sorteio na manhã de 1º de janeiro e apostas até as 22h de 31/12O que se confirma
A proposta cria um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, que definiria metas fiscais e monetárias por quatro a cinco anos.
InfoMoney, Exame e Revista Oeste registram o ponto.
A Selic iria de 13,75% para cerca de 7,5% ao ano em 12 meses, segundo as mesmas três fontes.
Lara Resende afirma que o custo elevado dos juros é o principal fator de crescimento da dívida pública.
InfoMoney, Exame e Oeste trazem a mesma leitura.
Durigan negou que o governo avalie tabelar juros ou queimar reservas cambiais.
Metrópoles e Revista Oeste confirmam a negativa.
O ministro também disse que não há reunião agendada entre Lula e Lara Resende. Exame e Metrópoles registram a declaração.
“Propostas como tabelar os juros ou queimar reservas cambiais não estão em avaliação”, disse Dario Durigan, ministro da Fazenda
O que não está confirmado
A Revista Oeste afirma que a ideia chamou a atenção de Lula. Durigan e Mercadante negam que haja agenda sobre o assunto.
Nenhuma fonte consultada confirma que Lula tenha recebido a proposta.
Uma nota do colunista Lauro Jardim, do O Globo, dizia que haveria encontro entre Lula e Lara Resende.
O Metrópoles registra o caso. Durigan e Mercadante dizem que não há agenda marcada.
A Exame fala em “possível reunião”, enquanto o Metrópoles cita “reunião nesta semana”.
As fontes divergem sobre a existência do encontro.
Durigan classificou a proposta como “incipiente”. Segundo a Exame, ele afirmou:
“Do meu ponto de vista, não é uma proposta, é uma ideia incipiente que foi colocada para debate público”, disse Dario Durigan, ministro da Fazenda
A mesma fonte registra que o ministro vê “várias deficiências” na ideia. Nenhuma outra fonte consultada traz essa fala.
Mercadante, presidente do BNDES, disse ao Metrópoles: “Eu nunca defendi tabelamento de juros”.
Só esse veículo traz a declaração.
Segundo a Revista Oeste, a proposta sugere que o Banco Central use reservas internacionais para suavizar uma eventual depreciação do real.
Nenhuma outra fonte consultada confirma o ponto.
A Exame relata divergências dentro do PT.
Setores do partido defenderam o debate, e agentes do mercado se preocuparam com interferência na política monetária.
Só essa fonte traz o relato.
Também não encontramos sustentação para um spread transitório de segurança de 2 pontos percentuais na proposta.
Contexto
Lara Resende é um dos formuladores do Plano Real.
Foi diretor do Banco Central e presidente do BNDES no governo FHC, segundo a Revista Oeste.
A Revista Oeste também diz que ele integrou a equipe de transição de Lula em 2022. O dado vem só dessa fonte.
A Selic é definida pelo Copom, formado pelos diretores do BC. O colegiado se reúne nesta semana.
Metrópoles cita probabilidade implícita de 63,1% de manutenção da taxa, segundo opções na B3.
O número vem de uma única fonte.
Críticos citados pela Revista Oeste avaliam que reduzir juros por decisão política, sem ajuste consistente das contas, poderia enfraquecer o real e elevar a inflação.
Eles também veem risco à autonomia do BC.
O que ainda não se sabe
- Lara Resende não foi localizado. O Metrópoles tentou contato sem sucesso, e ele não se manifestou sobre a negativa do governo.
- Não está claro se a proposta exige mudança legal ou apenas decisão do BC e do conselho proposto.
- Os textos não trazem números de mercado, como cotações e juros futuros, após a repercussão.
- A projeção de inflação de 5,22% para 2026, citada na pauta, não foi checada nesta apuração.
- Nenhum analista independente foi ouvido sobre os riscos específicos da proposta.
O que checamos
Cada afirmação desta matéria foi conferida em fontes independentes antes da publicação.
- Confirmado
Lara Resende propõe um Conselho Fiscal e Monetário Nacional para definir metas fiscais e monetárias por quatro a cinco anos.
Fontes: InfoMoney, Exame, Revista Oeste · InfoMoney cita metas de 4 a 5 anos; Exame e Oeste citam o conselho. O prazo e o conselho não aparecem juntos em todas as fontes. - Confirmado
A proposta prevê reduzir a Selic de 13,75% para cerca de 7,5% ao ano em 12 meses.
Fontes: InfoMoney, Exame, Revista Oeste · Três veículos trazem a meta de 7,5% em 12 meses; Exame e Oeste citam os 13,75% atuais. - Sem prova
A proposta inclui um spread transitório de segurança de 2 pontos percentuais.
Nenhuma fonte sustenta · Nenhum trecho dos textos fornecidos menciona spread de 2 pontos; os textos de InfoMoney e Exame estão truncados. - Confirmado
Segundo Lara Resende, o custo elevado dos juros é o principal fator de crescimento da dívida pública.
Fontes: InfoMoney, Exame, Revista Oeste · InfoMoney, Exame e Oeste trazem o diagnóstico, atribuído ao economista. Exame diz 'um dos principais fatores'. - Só uma fonte
A proposta sugere que o BC use reservas internacionais para suavizar eventual depreciação do real.
Fontes: Revista Oeste · Só a Oeste cita o uso de reservas para conter desvalorização do real. O trecho visível do InfoMoney não traz isso.
Fontes consultadas 4
- 1InfoMoneySelic “tabelada” e ajuste fiscal pelos juros: a polêmica proposta de Lara Resendeinfomoney.com.br
- 2ExameDurigan vê 'deficiências' em proposta de Lara Resende e nega discussão sobre mudançaexame.com
- 3MetrópolesDurigan nega discussão de proposta para congelar taxa de juros no paísmetropoles.com
- 4Revista OesteProposta para limitar taxa básica de juros no governo Lula preocupa mercadorevistaoeste.com
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