PEC da Segurança passou, mas o G1 não contou a briga da maioridade penal
A aprovação e o foco na integração entre forças se confirmam. O texto do G1 omite a derrota da oposição na maioridade penal e as mudanças feitas no Senado.
Os fatos publicados pelo G1 se confirmam, mas outras fontes trazem informação que muda a leitura e não estava no texto. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

O que o G1 publicou se confirma: o Senado aprovou a PEC em dois turnos na terça (3), ela segue para promulgação e prevê integração entre União, estados e municípios.
A fala de Cadu de Lula é apenas uma opinião, e as outras fontes não a contradizem.
Faltou contar que a oposição perdeu por 38 a 36 a votação sobre a maioridade penal e quais pontos o texto traz.
Por que isso aconteceu
A PEC foi enviada pelo Executivo à Câmara em abril de 2025. Segundo o O Antagonista, a Câmara a aprovou em março deste ano.
No Senado, ela inclui o Susp na Constituição, amplia a participação da União na segurança, permite polícias municipais e endurece as regras para facções e milícias.
Leia tambémMidterms: G1 diz que democratas levaram Câmara e Senado; placar da Câmara varia entre as fontesA Agência Brasil lembra que o governo Lula pretende criar o Ministério da Segurança Pública depois da aprovação.
A votação mais disputada foi sobre a maioridade penal.
O relator, Rogério Carvalho (PT-SE), propôs que as emendas virassem PECs autônomas.
Segundo a Agência Senado, ele alegou que o tema é estranho ao texto e que, se as emendas fossem votadas, a PEC voltaria à Câmara e atrasaria a promulgação.
O requerimento passou por 38 a 36.
O outro lado
A oposição protestou contra o desmembramento.
Segundo a Agência Senado, o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), disse que o relator quer que o Plenário seja "cerceado, emudecido" e que a discussão seja adiada.
Marinho também discordou de que a maioridade penal seja "jabuti", pois, para ele, o tema faz parte da segurança pública.
Carlos Portinho (PL-RJ) e Efraim Filho (PL-PB) pediram a votação das emendas.
Efraim chamou de "esdrúxulo" o argumento de que a matéria era estranha.
Segundo a Revista Oeste, PL, Progressistas, Republicanos, PSDB e Podemos orientaram contra a retirada das emendas.
O Antagonista registra que a oposição tentou impedir o desmembramento e perdeu por dois votos.
Alcolumbre prometeu celeridade às PECs paralelas.
O que ficou de fora do texto do G1
- A oposição, liderada por Rogério Marinho (PL-RN), perdeu por 38 a 36 a votação que desmembrou as emendas da maioridade penal (O Antagonista) (Agência Brasil) (Agência Senado)
- A emenda de Marinho previa maioridade de 16 anos como regra e de 14 anos em crimes graves como hediondos, tráfico e organização criminosa (O Antagonista) (Agência Brasil) (Agência Senado)
- Lula já disse ser favorável à redução da maioridade para 16 anos em crimes hediondos, mas em proposta separada (O Antagonista)
- O relator retirou do texto a destinação de 10% a 30% da arrecadação das bets para a segurança pública (O Antagonista)
- A PEC permite polícias municipais, amplia a atuação da PRF para ferrovias e hidrovias e endurece regras para facções e milícias (O Antagonista) (Revista Oeste) (Agência Senado)
- Alcolumbre se comprometeu a dar celeridade às PECs paralelas da maioridade penal (O Antagonista) (Agência Senado)
Como o G1 contou a história
O G1 apresentou a PEC pela fala do governador eleito do PT, num tom positivo, destacando a integração entre as forças e o silêncio de Lula sobre economia.
As outras fontes concentram a cobertura na disputa em plenário: a oposição defendia incluir a redução da maioridade penal e foi vencida por dois votos, com o governo e o relator do PT articulando a separação.
O texto do G1 não menciona esse embate nem a posição de Rogério Marinho e do PL, e ouve só um aliado do governo.
Afirmação por afirmação
Cada afirmação da matéria do G1, conferida em outros veículos e fontes oficiais.
- Confirmado
A PEC da Segurança Pública foi aprovada pelo Senado em dois turnos na terça-feira (3).
Fontes: O Antagonista, Revista Oeste, Agência Brasil, Agência Senado · A Agência Senado e a Agência Brasil mostram aprovação por 73 votos a 0 no primeiro turno e 75 a 0 no segundo, na terça (3). - Confirmado
A PEC segue para promulgação pelo Congresso Nacional.
Fontes: Revista Oeste, Agência Brasil, Agência Senado · A Revista Oeste explica que, por ser emenda constitucional, a PEC não precisa de sanção presidencial e passa a valer com a promulgação pelas mesas da Câmara e do Senado. - Confirmado
A PEC vai facilitar a integração entre forças federais, estaduais e municipais no combate ao crime organizado.
Fontes: O Antagonista, Agência Brasil, Agência Senado · A Agência Senado diz que a PEC visa ampliar a integração entre os órgãos de segurança. A Agência Brasil cita o texto, que prevê atuação "integrada e descentralizada" em regime de cooperação federativa por meio do Susp. Se isso vai funcionar na prática é uma projeção de Cadu, não um fato. - Só o G1 publicou
Segundo Cadu, o avanço das facções atinge o Nordeste e o combate deve ser feito com polícia na rua e ocupação de territórios.
Nenhuma outra fonte traz · A declaração vem da entrevista à GloboNews e nenhuma fonte numerada a traz. Isso não significa que seja falsa. - Só o G1 publicou
Cadu de Lula (PT) é o governador eleito do Rio Grande do Norte e sucede Fátima Bezerra.
Nenhuma outra fonte traz · Nenhuma fonte numerada trata da eleição no RN nem da relação entre Cadu e Fátima Bezerra.
Fontes consultadas 5
- 1g1Cadu de Lula diz que PEC da Segurança vai facilitar integração entre forças federais, estaduais e municipaisg1.globo.com
- 2O AntagonistaSenado aprova PEC da Segurança sem maioridade de 14 anos e dá vitória a Lulaoantagonista.com.br
- 3Revista OesteSem redução da maioridade penal, Senado aprova PEC da Segurança Públicarevistaoeste.com
- 4Agência BrasilSenado aprova PEC da Segurança Pública sem redução da maioridade penalagenciabrasil.ebc.com.br
- 5Agência SenadoSenado aprova PEC da Segurança Pública sem redução da maioridade penalwww12.senado.leg.br
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