quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Maioridade penal

O Senado vai esperar a Câmara para votar a maioridade penal?

Alcolumbre tirou a PEC da pauta a pedido de Hugo Motta. Senadores do PL falam em quebra de acordo; Alcolumbre diz que o Senado vota quando o texto chegar da Câmara.

Por Redação Use a Lógica
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Davi Alcolumbre em reunião na Residência Oficial da Presidência do Senado, em Brasília
Davi Alcolumbre, presidente do Senado, em audiência em Brasília (foto de arquivo, 2025) Foto: Governo RS (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tirou da pauta desta quarta-feira (4) a votação que reduz a maioridade penal.

A decisão atendeu a um pedido do presidente da Câmara, Hugo Motta.

A retirada foi confirmada pela Agência Brasil, pela Agência Senado e pela Gazeta do Povo.

A versão de Motta chega apenas pelo relato de Alcolumbre, reproduzido pelos veículos.

Como a oposição reagiu

Senadores do PL criticaram o recuo. O líder do partido, Carlos Portinho, disse:

Arte da editoria PolíticaLeia tambémQuem vai comandar o novo Ministério da Segurança de Lula?

“O senhor é o presidente do Congresso, senador. Não é a Câmara dos Deputados que diz como vai ser, o Senado é a Casa alta. O senhor fez um compromisso e compromisso é para ser cumprido”, disse Carlos Portinho, líder do PL no Senado

Para os senadores de oposição, a decisão descumpre o compromisso firmado na terça-feira (3).

A crítica aparece na Agência Senado.

Alcolumbre respondeu que a ponderação de Motta foi razoável.

Segundo ele, o Senado precisa manter uma relação pacífica, cuidadosa e atenciosa com a Câmara.

O que motivou o recuo

Motta argumentou que a Câmara já discute o tema em comissão especial desde agosto.

Alcolumbre considerou o argumento razoável e aceitou esperar.

A Gazeta do Povo relata que Motta pediu que a Câmara conclua antes a análise na comissão especial.

Esse pedido não é, por si, um pedido para o Senado não votar a matéria.

O tema estava na PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025).

Na terça-feira (3), o Senado aprovou o desmembramento das emendas sobre maioridade, que passaram a tramitar como propostas separadas.

A Gazeta do Povo informa que a votação foi de 38 a 36.

O que as propostas prevêem

Há três textos em discussão, com contornos diferentes:

  • PEC 32/2015: fixa a maioridade penal e civil em 16 anos.
  • PEC 19/2026, do senador Rogerio Marinho (PL-RN): 16 anos como regra geral e 14 anos para crimes hediondos, tortura, tráfico, terrorismo e participação em organizações criminosas.
  • PEC 20/2026, do senador Camilo Santana (PT-CE): reduz a maioridade para 16 anos apenas nos crimes hediondos.

Segundo a CNN Brasil, o governo propõe 18 anos para todos os crimes e 16 para hediondos.

A oposição propõe 16 anos para todos e 14 para hediondos.

Próximos passos

Segundo Alcolumbre, Motta se comprometeu a votar o tema na Câmara em novembro.

Não há data definida na comissão especial nem no plenário da Câmara.

O relator, deputado Mendonça Filho (PL-PE), disse que apresentará parecer ainda neste mês, segundo a Agência Brasil e a CNN Brasil.

Alcolumbre afirmou: “Quando chegar aqui, nós vamos votar”, segundo a Agência Brasil.

O Senado, portanto, aguarda o texto chegar da Câmara.

Caso a Câmara não vote antes, o senador Eduardo Braga (MDB-AM) apresentou requerimento de calendário especial, com 56 assinaturas.

Ele pede votação em plenário, sem passar pela CCJ, em 1º de dezembro.

“Vossa Excelência poderia estabelecer uma data: 1º de dezembro. Se até o dia 1° de dezembro a PEC não vier da Câmara dos Deputados, há o requerimento assinado por mais de 50 senadores para colocar em votação com quebra de interstício, em urgência, a PEC sobre a maioridade”, disse Eduardo Braga, senador (MDB-AM)

O que se discute no Congresso

Os defensores da redução querem responder ao aumento da violência com punição mais dura.

Os senadores do PL cobram que o Senado cumpra o acordo firmado na terça-feira.

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) defende outro caminho.

Ele propõe o PL 1.473/2025, do senador Fabiano Contarato (PT-ES), que aumenta o tempo máximo de internação de adolescentes infratores no ECA.

Segundo a Agência Senado, ele argumenta:

“Porque a PEC vai ser objeto de questionamentos. Há a possibilidade de votar uma PEC e não ter o resultado, e deixar de lado um projeto de lei que garante o resultado”, disse Alessandro Vieira, senador (MDB-SE)

Vieira também afirma que, para alguns, a redução é cláusula pétrea, ou seja, não pode ser alterada na Constituição.

O que ainda não se sabe

Não há data para a comissão especial votar o parecer. Também não há previsão para o PL 1.473/2025 ser analisado pela Câmara.

Não está definido se o requerimento de Braga será votado em 1º de dezembro.

Os textos também não mostram a posição de Mendonça Filho sobre o mérito da redução.

O que checamos

Cada afirmação desta matéria foi conferida em fontes independentes antes da publicação.

6 confirmado7 só uma fonte1 sem prova
  1. Confirmado

    Alcolumbre retirou da pauta de quarta (4) a PEC da maioridade penal (18 para 16 anos) a pedido de Hugo Motta.

    Fontes: Agência Brasil, Agência Senado, CNN Brasil, Gazeta do Povo · As quatro fontes relatam a retirada e o pedido/ponderação de Motta; a Agência Senado é fonte oficial.
  2. Confirmado

    O plenário aprovou na terça (3), por 38 a 36, o desmembramento das emendas da PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025), que viraram propostas autônomas.

    Fontes: Agência Senado, CNN Brasil, Gazeta do Povo · Desmembramento está em 2, 3 e 4; o placar de 38 a 36 aparece apenas na Gazeta do Povo [4].
  3. Só uma fonte

    Placar de 38 a 36 para o desmembramento.

    Fontes: Gazeta do Povo · Só a Gazeta do Povo traz o placar; o dossiê atribui também à fonte 2, que não o menciona.
  4. Confirmado

    Motta argumentou que a Câmara discute o tema em comissão especial desde agosto, e Alcolumbre considerou a ponderação razoável.

    Fontes: Agência Senado, Gazeta do Povo · 'Desde agosto' só consta na Agência Senado; 'razoável' aparece em 1, 2 e 4. Relato é via Alcolumbre.
  5. Confirmado

    Câmara deve votar em novembro; relator Mendonça Filho apresentará parecer neste mês; Senado votaria no dia seguinte à aprovação na comissão especial.

    Fontes: Agência Brasil, Agência Senado, CNN Brasil · Compromisso de votar em novembro em 1, 2 e 3; parecer do relator e voto no dia seguinte só na CNN [3].

Fontes consultadas 4

  1. 1Agência BrasilAlcolumbre retira maioridade penal da pauta e vai aguardar Câmaraagenciabrasil.ebc.com.br
  2. 2Agência SenadoRedução da maioridade penal: Senado aguardará votação de PEC da Câmarawww12.senado.leg.br
  3. 3CNN BrasilAlcolumbre diz que vai aguardar Câmara para debater redução da maioridadecnnbrasil.com.br
  4. 4Gazeta do PovoApós conversa com Motta, Alcolumbre adia votação da redução da maioridade penal no Senadogazetadopovo.com.br

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