Novo ataque ao Irã depende de acordo, diz Trump. As negociações avançam?
Trump afirma que a decisão depende de um acordo nuclear forte e da reabertura de Ormuz; já o chanceler iraniano diz que as negociações estão paradas.
Parte das informações foi confirmada; o restante segue em apuração e está sinalizado no texto. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

Donald Trump disse à CNN, no domingo (8), que é “altamente improvável” que ordene novos ataques ao Irã.
Segundo ele, a decisão depende de Teerã assinar um acordo “muito forte”.
Trump citou dois temas: o programa nuclear iraniano e a reabertura do Estreito de Ormuz.
O que se confirma
A declaração de Trump foi registrada pelo g1, pela Jovem Pan e pela Exame.
Os três veículos relatam a mesma condição para evitar novos ataques.
Leia tambémA ameaça a Trump atribuída a venezuelano preso tem confirmação independente?“Depende se eles assinarem ou não um acordo muito forte.”, disse Trump à CNN
Trump também citou a situação financeira do Irã. Ele afirmou que o país tem inflação de 301% neste ano.
As três fontes registram a fala. O número, porém, vem de Trump.
Nenhuma reportagem apresenta dado oficial iraniano que o confirme.
Sobre a presença militar, Trump disse que os EUA têm três porta-aviões na região. A Jovem Pan e a Exame registraram a fala.
“Estamos prontos para isso. Tenho três porta-aviões lá. O terceiro acabou de chegar.”, disse Trump, citado pela Jovem Pan
A Jovem Pan publicou ainda a fala de Trump sobre 38 pontes entre os alvos possíveis. Ele disse preferir não destruí-las.
O trecho correspondente na Exame aparece incompleto.
O que não está confirmado
Trump afirmou que o Irã tem cerca de 10% de sua capacidade de mísseis e 15% de seus drones.
Disse também que os sistemas antiaéreos iranianos foram destruídos.
Essas são falas de Trump, publicadas só pela Jovem Pan.
Não encontramos dado independente que confirme os percentuais nem a destruição dos antiaéreos.
O chanceler iraniano Abbas Araghchi afirmou que as negociações estão paradas.
Segundo o g1, ele disse que não houve novas viagens de mediadores nos últimos dias.
“Nos últimos dias, não houve mais viagens (de mediadores), e a razão para isso é o choque que os resultados das eleições nos Estados Unidos causaram em todos.”, disse Araghchi, segundo o g1
A fala foi relatada só pelo g1. Não encontramos registro dela em outra fonte independente consultada.
O g1 relata ainda que o Irã segue bloqueando a passagem pelo Estreito de Ormuz.
Segundo a reportagem, isso afetou o petróleo do Golfo e elevou a gasolina nos EUA.
A Exame, por sua vez, diz que navios petroleiros que cruzam o estreito seguem como alvo de ataques iranianos.
Só a Exame publicou essa informação.
A Exame também relata que Trump telefonou ao emir do Catar, Tamim bin Hamad Al Thani, para discutir a desescalada.
Só essa fonte registra o telefonema.
Segundo o g1, a guerra segue em menor intensidade após um cessar-fogo que não avançou.
A informação aparece só nessa reportagem.
Versões diferentes
As versões dos dois lados não batem sobre as negociações. Veja como cada um descreve a situação:
- Trump: segundo a Jovem Pan, disse que o Irã está “muito disposto a chegar a um acordo”.
- Araghchi: segundo o g1, disse que as negociações estão paradas.
A checagem não encontrou dados públicos que confirmem uma das duas versões.
Contexto
A guerra começou com ataques dos EUA ao Irã.
Trump justificou a ação como forma de impedir que o país desenvolva armas nucleares.
O Irã diz que seu programa nuclear tem fins energéticos. Reivindica também o controle do Estreito de Ormuz.
Segundo o g1, Araghchi associou a paralisia das negociações ao resultado das eleições de meio de mandato nos EUA.
Segundo as reportagens, o Catar atua como mediador das conversas.
O g1 também relata que a guerra custou até US$ 100 bilhões aos EUA, segundo fontes do Pentágono.
Só o g1 publicou esse número.
O que ainda não se sabe
- Não há detalhes públicos sobre o conteúdo das negociações nem sobre os termos de um possível acordo.
- Segundo a Exame, autoridades dos dois países e do Catar vinham mantendo silêncio sobre o andamento das conversas.
- Não há data para a retomada das negociações após a paralisia citada por Araghchi.
- Não há confirmação independente dos percentuais militares que Trump afirma restar ao Irã.
O que checamos
Cada afirmação desta matéria foi conferida em fontes independentes antes da publicação.
- Confirmado
Trump disse à CNN, no domingo (8), que novos ataques ao Irã são "altamente improváveis", condicionados à assinatura de um acordo muito forte.
Fontes: g1 Mundo, Jovem Pan, Exame · As três fontes trazem a mesma declaração e a condição do acordo, com citações coincidentes. - Confirmado
Trump citou inflação de 301% no Irã neste ano e disse que o país está financeiramente em dificuldades.
Fontes: g1 Mundo, Jovem Pan, Exame · Os três textos reproduzem a fala sobre a inflação de 301%. O número é de Trump, sem checagem independente. - Confirmado
Trump disse que há três porta-aviões na região e 38 pontes entre os alvos, mas prefere não destruí-las.
Fontes: Jovem Pan, Exame · Jovem Pan e Exame trazem as falas. Atribuir a Trump: não há confirmação independente da presença dos porta-aviões. - Só uma fonte
Trump disse que o Irã tem cerca de 10% dos mísseis e 15% dos drones, e que os antiaéreos acabaram.
Fontes: Jovem Pan · Só a Jovem Pan (conteúdo da Europa Press) traz isso. O trecho da Exame está cortado e não permite confirmar. - Só uma fonte
O chanceler Abbas Araghchi disse que as negociações estão paradas, sem viagens de mediadores, por causa do "choque" com o resultado das eleições nos EUA.
Fontes: g1 Mundo · Só o g1 traz a fala de Araghchi à TV estatal. A Exame não a menciona no trecho disponível.
Fontes consultadas 3
- 1g1 MundoTrump diz que novo ataque ao Irã é "altamente improvável" se negociações avançaremg1.globo.com
- 2Jovem PanTrump considera ‘altamente improvável’ novos ataques contra Irã durante negociaçõesjovempan.com.br
- 3ExameTrump diz que novos ataques contra Irã são 'altamente improváveis'exame.com
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