quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Caso Master

Caso Master: os 15 indiciados já estão condenados?

A PF indiciou 15 pessoas, entre elas Vorcaro e o ex-presidente do BRB; indiciamento é fase da investigação, não condenação, e as defesas contestam as conclusões.

Por Redação Use a Lógica
Produzida com apoio de inteligência artificial, a partir das fontes listadas, com checagem e revisão automáticas.
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Informações confirmadas em 4 fontes independentes. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

Fachada do edifício sede do BRB, em Brasília
Edifício sede do Banco de Brasília (BRB), citado no caso Master (foto de arquivo, 2019) Foto: Agência Brasília from Brasília, Brasil (CC BY 2.0), via Wikimedia Commons

A Polícia Federal indiciou 15 pessoas no inquérito que apura fraudes nas operações entre o Banco Master e o BRB. A lista inclui o ex-controlador do Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. O relatório parcial, com mais de 700 páginas, foi encaminhado ao STF, onde o caso está com o ministro André Mendonça, e a PF já solicitou mais 60 dias para concluir perícias pendentes.

A checagem confirmou em quatro veículos o número de indiciados, o envio do relatório parcial e o pedido de prorrogação. Não encontrou confirmação independente para o valor de R$ 2,7 bilhões em prejuízo — contestado pela defesa de Vorcaro — nem para o detalhamento sobre a empresa Tirreno. Vale registrar desde já: indiciamento é uma fase da investigação e não significa condenação.

O que se confirma

De acordo com a PF, o BRB adquiriu cerca de R$ 17,5 bilhões em ativos e carteiras de crédito do Master entre julho de 2024 e outubro de 2025 — dado reproduzido pela CNN Brasil e por O GLOBO. Ao menos R$ 12,2 bilhões desse montante seriam créditos sem comprovação de existência, atribuídos à Tirreno, segundo os mesmos dois veículos.

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O relatório da PF coloca Vorcaro no "principal centro de comando, coordenação e decisão" das operações, conforme trecho citado pela CNN Brasil. Em passagem do documento reproduzida pelo g1, a PF sustenta: "Na condição de líder da organização, Daniel Bueno Vorcaro centralizava as decisões relacionadas à produção, aquisição, cessão das carteiras de crédito utilizadas para captação de recursos, além de dirigir a atuação dos demais integrantes vinculados ao Banco Master e às estruturas empresariais associadas ao esquema".

Sobre o ex-presidente do BRB, a PF afirma que ele era o principal articulador das operações dentro do banco e usava as atribuições do cargo para manter a continuidade dos negócios estruturados por Vorcaro, segundo a CNN Brasil e O GLOBO.

O rol de indiciados, confirmado por três veículos, reúne ex-dirigentes do Master, sócios da Tirreno, um advogado que atuou na estruturação das operações e ex-integrantes da diretoria do BRB.

Vorcaro está preso desde março deste ano, por decisão de Mendonça, depois de suspeita de que tentaria atrapalhar as investigações, conforme informaram a Agência Brasil, a CNN Brasil e o g1.

O que não está confirmado

O prejuízo de aproximadamente R$ 2,7 bilhões foi publicado apenas pela Agência Brasil. No relatório, a PF afirma: "Há, portanto, aproximadamente R$ 2,7 bilhões em perdas já formalizadas e reconhecidas, não se tratando de estimativa abstrata ou de risco meramente eventual". A defesa de Vorcaro contesta: "Nenhuma perícia oficial apurou qualquer prejuízo". Segundo a Agência Brasil, os números do relatório viriam da petição inicial de uma ação indenizatória movida pelo próprio BRB. Sem segunda fonte independente, o valor não é tratado aqui como fato estabelecido.

Também não encontramos apoio em mais de uma fonte para a descrição da Tirreno como sociedade de prateleira, com capital inicial de R$ 100, sem empregados e sede em um coworking paulistano, nem para a informação de que o pagamento à empresa nunca saiu do Master e ficou registrado em conta interna do banco — ponto que os investigadores tratariam como indício de lavagem de dinheiro.

As versões das defesas foram publicadas até aqui por um único veículo, O GLOBO. Sobre Vorcaro, a defesa afirma: "Trata-se de um ato açodado e afoito, que antecipa conclusões que a própria investigação admite ainda não ter alcançado". E acrescenta: "Indiciamento frágil e absurdo: as conclusões se apoiam em leitura seletiva de mensagens e em hipóteses formuladas 'em tese', e não em demonstração técnica. São operações embasadas em decisões técnicas e colegiadas das instâncias de governança de duas instituições supervisionadas pelo Banco Central. Agora são retratadas como crime sem que se tenha aferido seu resultado econômico".

A defesa de Paulo Henrique Costa sustenta que as provas "mostram às escâncaras que Paulo Henrique não tinha conhecimento das fraudes; há prova eloquente de que ele detectou irregularidades nas carteiras; e de que foi ele quem trouxe o fato ao conhecimento do Banco Central". Já a defesa de Augusto Lima diz que "a conclusão equivocada da autoridade policial em relação a Augusto Lima decorre da leitura enviesada de esparsas e aleatórias mensagens de texto, temporalmente desconectadas entre si".

Os veículos divergem em dois pontos. Nos crimes imputados: a Agência Brasil cita gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro; a CNN Brasil acrescenta indução a erro e falsidade em informações ou documentos; O GLOBO menciona gestão fraudulenta, induzimento a erro, fraude em fiscalização e lavagem de dinheiro. Nos valores: O GLOBO fala em R$ 16,7 bilhões injetados pelo BRB no Master, enquanto outras passagens tratam de R$ 17,5 bilhões em créditos vendidos ao BRB.

Contexto

A Operação Compliance Zero apura fraudes nas operações entre o Master e o BRB. O BRB tem o governo do Distrito Federal como acionista majoritário, e as reportagens registram que a instituição atravessa crise marcada por perdas ligadas aos negócios com o Master. A tentativa de compra do Master pelo BRB foi barrada pelo Banco Central.

As defesas insistem que as operações passaram por instâncias colegiadas de duas instituições fiscalizadas pelo Banco Central — argumento que, na avaliação dos investigados, afasta a tese de crime.

O que ainda não se sabe

Faltam as perícias pendentes e o relatório complementar. O GLOBO informa que a PF quer esclarecer se outras pessoas das equipes do Master e do BRB participaram da elaboração de documentos usados nas fraudes e aprofundar suspeitas de corrupção.

Está pendente, ainda segundo O GLOBO, a consolidação das análises bancárias, fiscais, patrimoniais e financeiras dos investigados, necessárias para medir o proveito econômico. Também não há decisão conhecida do STF sobre o pedido de prorrogação por 60 dias, e as reportagens não trazem as manifestações das defesas dos demais indiciados.

O que checamos

Cada afirmação desta matéria foi conferida em fontes independentes antes da publicação.

9 confirmado3 só uma fonte2 sem prova
  1. Confirmado

    A PF indiciou 15 pessoas no inquérito sobre fraudes nas operações entre o Banco Master e o BRB, entre elas Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB.

    Fontes: Agência Brasil, CNN Brasil, g1 Política, O GLOBO · Todas as fontes confirmam o número de 15 indiciados e incluem ambos os nomes.
  2. Confirmado

    O relatório de indiciamentos é parcial, tem mais de 700 páginas e foi encaminhado ao STF, onde o caso é relatado pelo ministro André Mendonça.

    Fontes: CNN Brasil, g1 Política, O GLOBO · Relatório parcial com mais de 700 páginas e envio ao STF aparecem em [2], [3] e [4]; André Mendonça como relator é mencionado em [3] e [4].
  3. Confirmado

    A PF pediu ao STF prorrogação das investigações por mais 60 dias para concluir perícias pendentes e apresentar relatório complementar.

    Fontes: Agência Brasil, CNN Brasil, g1 Política, O GLOBO · Todas as fontes confirmam o pedido de prorrogação por 60 dias.
  4. Confirmado

    Segundo a PF, o BRB comprou cerca de R$ 17,5 bilhões em ativos e carteiras de crédito do Master entre julho de 2024 e outubro de 2025.

    Fontes: CNN Brasil, O GLOBO · CNN e O Globo confirmam o valor e o período; O Globo usa 'créditos' em vez de 'ativos e carteiras'.
  5. Confirmado

    A PF afirma que ao menos R$ 12,2 bilhões desse total correspondem a créditos sem comprovação de existência, atribuídos à Tirreno.

    Fontes: CNN Brasil, O GLOBO · O montante sem comprovação é confirmado por [2] e [4]; a atribuição específica à Tirreno não é explícita em [2], mas aparece em [1] de forma relacionada.

Fontes consultadas 4

  1. 1Agência BrasilPF indicia Vorcaro e mais 14 investigados no caso Masteragenciabrasil.ebc.com.br
  2. 2CNN BrasilPF indicia Vorcaro e ex-presidente do BRB por fraudes no caso Mastercnnbrasil.com.br
  3. 3g1 PolíticaPF indicia Vorcaro, ex-presidente do BRB, Augusto Lima e mais 12 em inquérito do caso Masterg1.globo.com
  4. 4O GLOBOCaso Master: PF indicia Vorcaro e ex-presidente do BRB e pede prorrogação do inquérito ao STFoglobo.globo.com

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