quarta-feira, 28 de outubro de 2026
Tributação

Vai ficar mais caro financiar o agro? Governo estuda IOF sobre LCI e LCA

Equipe econômica de Lula avalia cobrar IOF de papéis isentos como LCI e LCA; a Fazenda não se manifestou, e o setor produtivo teme menos crédito ao agro e à construção.

Por Redação Use a Lógica
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Informações confirmadas em 2 fontes independentes. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

Pessoas reunidas na entrada do prédio do Ministério da Fazenda durante protesto
Integrantes de movimentos sociais ocupam o Ministério da Fazenda em protesto, em Brasília (foto de arquivo, 2017) Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil (CC BY 2.0), via Wikimedia Commons

A equipe econômica do governo Lula voltou a estudar a cobrança de IOF sobre papéis que hoje não pagam Imposto de Renda: LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas. A informação foi publicada pelo O Globo e pelo Brasil 247, e a checagem confirmou o núcleo da apuração em duas fontes independentes — a avaliação está na mesa, a alíquota atual desses títulos é zero e o Executivo tem instrumento para mudar a regra sem passar pelo Congresso.

O que ainda não existe é confirmação oficial. O Ministério da Fazenda foi procurado e não quis se manifestar, e não há alíquota definida nem data para a cobrança começar. Também não foi divulgada estimativa de quanto o governo pretende arrecadar com a medida.

O que se confirma

Os papéis na mira são os cinco citados acima, e hoje o IOF sobre eles é zero. Segundo as duas reportagens, a isenção custa cerca de R$ 33 bilhões por ano aos cofres federais, e a medida integra o radar de ações em estudo para melhorar as contas públicas.

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O caminho seria um decreto presidencial. Como o IOF tem caráter regulatório, o governo pode alterar a alíquota sem aval do Legislativo, e a cobrança pode valer de imediato, sem as regras de anterioridade. É justamente essa velocidade que acende o alerta no setor produtivo.

Segundo interlocutores ouvidos pelas publicações, o argumento do governo é corrigir uma distorção de mercado: como não pagam imposto, esses papéis competem com títulos do Tesouro Nacional, sobretudo os de prazo médio, de cerca de cinco anos, corrigidos pela inflação. Um executivo do setor afirmou às reportagens que, com as incertezas sobre a política fiscal do atual governo, o investidor tem preferido papéis de empresas a comprar títulos públicos.

O tamanho do mercado afetado aparece nos dados da B3:

  • estoque de LCI em junho: R$ 544 bilhões;
  • estoque de LCA em junho: R$ 563 bilhões;
  • CRIs registrados na bolsa em março: R$ 261 bilhões;
  • CRAs registrados na bolsa em março: R$ 176 bilhões.

Do outro lado, o setor produtivo sustenta que esses títulos financiam a agropecuária, a construção civil e a infraestrutura, principalmente em períodos de juros altos. Encarecer a aplicação, argumentam, reduz a captação e encarece o crédito nesses segmentos.

As duas fontes confirmam ainda que o governo já vem apertando as regras desses papéis por meio do Conselho Monetário Nacional. Em 2024, o CMN vetou CRIs e CRAs lastreados em empresas sem relação com os setores imobiliário e do agronegócio; em maio de 2025, elevou de 50% para 60% a parcela dos recursos captados com LCA que precisa ir para o crédito rural ou para títulos do agro.

Contexto

A tentativa anterior de tributar esses papéis veio por medida provisória, em junho de 2025, com 5% sobre os rendimentos de novas emissões a partir de janeiro deste ano. Pelos cálculos da Fazenda, o item renderia R$ 2,6 bilhões em 2026; somadas as mudanças em bets e nos juros sobre capital próprio (JCP), o impacto total estimado era de R$ 20,6 bilhões no mesmo ano.

Para tentar aprovar o texto, o relator, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), retirou a cobrança sobre os títulos incentivados, atendendo à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Ainda assim, em outubro de 2025 a Câmara tirou a matéria de pauta por 251 votos a 193, e a MP perdeu a validade.

O histórico mostra que o Congresso já reagiu a aumento de IOF. Em junho de 2025, deputados e senadores derrubaram o decreto que havia elevado a alíquota sobre crédito, câmbio e previdência privada; a cobrança só foi restabelecida, quase integralmente, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, em julho daquele ano.

O que ainda não se sabe

A checagem não encontrou estimativa divulgada de arrecadação específica com o IOF sobre os títulos incentivados, nem a alíquota que seria aplicada ou a data de início da cobrança. Também não há detalhamento do impacto calculado sobre a rentabilidade líquida do investidor pessoa física.

Faltam ainda números oficiais sobre o efeito na captação de agronegócio, construção civil e infraestrutura. E permanece em aberto o desenho político: não está claro se a proposta iria ao Congresso ou se seria implementada por decreto — decisão que, pelo histórico recente, tende a encontrar resistência no Legislativo.

O que checamos

Cada afirmação desta matéria foi conferida em fontes independentes antes da publicação.

14 confirmado
  1. Confirmado

    A equipe econômica voltou a avaliar a cobrança de IOF sobre os chamados títulos incentivados, que hoje são isentos de Imposto de Renda.

    Fontes: O GLOBO, Brasil 247 · Confirmado por O Globo e Brasil 247, que reproduz O Globo.
  2. Confirmado

    Os títulos citados são LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas, e a alíquota de IOF sobre essas aplicações hoje é zero.

    Fontes: O GLOBO, Brasil 247 · Ambas as fontes listam os títulos e mencionam alíquota zero.
  3. Confirmado

    Como o IOF tem caráter regulatório, o governo pode alterar suas alíquotas por decreto presidencial, sem depender do aval do Congresso, e a cobrança pode passar a valer de imediato, sem as regras de anterioridade.

    Fontes: O GLOBO, Brasil 247 · Explicação presente em ambas as fontes.
  4. Confirmado

    O instrumento não está imune ao Congresso: em junho de 2025, deputados e senadores derrubaram o decreto que havia elevado o IOF sobre crédito, câmbio e previdência privada, e a cobrança só foi restabelecida, quase integralmente, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, em julho daquele ano.

    Fontes: O GLOBO, Brasil 247 · Relato consistente nas duas fontes.
  5. Confirmado

    O Ministério da Fazenda não quis se manifestar.

    Fontes: O GLOBO, Brasil 247 · Ambas registram a recusa.

Fontes consultadas 2

  1. 1O GLOBOGoverno estuda aplicar IOF sobre LCI, LCA e outros títulos isentosoglobo.globo.com
  2. 2Brasil 247Governo estuda impor IOF em títulos incentivados para reforçar o caixabrasil247.com

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