quarta-feira, 28 de outubro de 2026
Imposto Seletivo

Imposto do pecado mira R$ 41,9 bi em 2027 sem dizer quanto vai encarecer

Durigan confirmou o envio nesta semana; a lista vai de cigarro a apostas, com cobrança prevista para 2027, mas as alíquotas e o tamanho do aumento ainda não foram divulgados.

Por Redação Use a Lógica
Produzida com apoio de inteligência artificial, a partir das fontes listadas, com checagem e revisão automáticas.
5 min de leitura 4 fontes
Verificado

Informações confirmadas em 4 fontes independentes. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

Retrato oficial de Dario Durigan, de terno, em foto vertical
Dario Durigan, ministro da Fazenda, em foto oficial de 2023 (foto de arquivo, 2023) Foto: Diogo Zacarias (Public domain), via Wikimedia Commons

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o governo pretende mandar ao Congresso Nacional nesta semana o projeto que trata das alíquotas do Imposto Seletivo, o tributo criado pela reforma tributária sobre o consumo e conhecido como “imposto do pecado”. A declaração foi publicada pela CNN Brasil, pelo g1, pelo Metrópoles e pelo InfoMoney. Confirmamos o anúncio, a lista de setores que serão taxados e a projeção de arrecadação; não localizamos, em nenhuma das fontes consultadas, alíquota definida, cálculo oficial de impacto nos preços ou cronograma de votação.

O que se confirma

O envio do texto nesta semana aparece nas quatro reportagens. Ao Metrópoles, o ministro afirmou: “Nós vamos fazer o envio em breve, esta semana provavelmente”. Sobre o formato, a CNN Brasil registra outra fala de Durigan: “Acredito que um projeto de lei daria conta de fazer esse estabelecimento. Por enquanto, a gente precisa sentar com o presidente e autorizar as demais medidas, mas tem várias já sendo estudadas e prontas do nosso lado”.

O Imposto Seletivo nasceu na reforma tributária sobre o consumo. Seu propósito declarado é encarecer bens e atividades considerados nocivos à saúde ou ao meio ambiente, de modo a desestimular o consumo — ponto confirmado pela CNN Brasil, pelo g1, pelo Metrópoles e pelo InfoMoney. O g1 e o InfoMoney situam o início da cobrança em 2027.

Pessoas reunidas na entrada do prédio do Ministério da Fazenda durante protestoLeia tambémVai ficar mais caro financiar o agro? Governo estuda IOF sobre LCI e LCA

Os setores na lista, segundo g1, Metrópoles e InfoMoney:

  • cigarros e produtos fumígenos;
  • bebidas alcoólicas;
  • bebidas açucaradas e refrigerantes;
  • determinados veículos, embarcações e aeronaves;
  • extração de bens minerais;
  • loterias, apostas e jogos de fantasy sports.

A equipe econômica projeta R$ 41,9 bilhões de arrecadação em 2027, número que consta da proposta de Orçamento enviada ao Congresso e aparece no g1 e no InfoMoney. As duas reportagens também registram a intenção da Fazenda de manter, num primeiro momento, carga tributária próxima à que já incide sobre os produtos atingidos, sem elevação imediata na transição; o encarecimento viria depois.

A justificativa do governo se apoia em estudos de custo à saúde, citados pelo g1 e pelo InfoMoney: R$ 153,5 bilhões por ano em despesas com tabagismo, R$ 8 bilhões de arrecadação federal com cigarros e R$ 18,8 bilhões em custos ligados ao álcool em 2019, segundo a Fiocruz. O Ministério da Saúde sustenta, em trecho reproduzido pelo g1: “Em contrapartida, a arrecadação de tributos federais na venda de cigarros é de apenas R$ 8 bilhões por ano, o que evidencia desequilíbrio entre os gastos com a saúde e a arrecadação gerada pela comercialização do produto”.

O que não está confirmado

Nenhuma das quatro reportagens traz alíquota, ainda que parcial. O texto que o governo promete enviar deve justamente fixar essas taxas, o que significa que o tamanho do aumento para o consumidor segue desconhecido.

Também não há consenso sobre o tipo de proposição. A CNN Brasil informa que Durigan não definiu se o tema será tratado como PEC ou como projeto de lei complementar, decisão que ainda passaria por análise técnica. O Metrópoles descreve o texto como detalhamento do projeto de lei complementar da reforma, sancionado em janeiro — versão que as demais fontes não confirmam.

Dois pontos aparecem apenas no Metrópoles: a isenção das exportações de minérios e a exclusão, entre veículos, embarcações e aeronaves, dos destinados a uso operacional das Forças Armadas e de órgãos de segurança pública. O mesmo veículo é a única fonte consultada a afirmar que o tributo incidirá uma única vez, sem aproveitamento de crédito anterior nem geração de crédito posterior, com fiscalização da Receita Federal.

Sobre prazos, o InfoMoney é a única fonte que menciona o intervalo mínimo de 90 dias entre a publicação da norma e o início da cobrança, o que empurraria a aplicação prática para depois de janeiro. O g1 e o próprio InfoMoney falam em início em 2027; o Metrópoles não trata do assunto. A Fazenda também não detalhou, em nenhuma das reportagens, as medidas que estuda para evitar perda de arrecadação na transição com o IPI — tema citado só pelo InfoMoney.

Os efeitos sobre a produção têm uma única fonte. O g1 ouviu produtores nacionais de bebidas alcoólicas segundo os quais impostos já respondem por 40% a mais de 80% do preço final, e um aumento poderia comprimir margens, encarecer o produto, provocar demissões e alimentar o mercado ilegal. Nenhuma outra reportagem consultada traz esses dados.

Contexto

O projeto de lei complementar da reforma foi sancionado em janeiro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e já traz diretrizes do Imposto Seletivo, que dependem de detalhamento, conforme o Metrópoles. A CNN Brasil aponta que o tributo integra o esforço do governo para cumprir a meta fiscal — superávit de 0,25% do PIB em 2026, cerca de R$ 34,3 bilhões — e que a proposta se inspira no “Sin Tax” americano, aplicado com variação por estado sobre álcool, tabaco, doces e combustível.

O que ainda não se sabe

Faltam as alíquotas, o formato final da proposta, a estimativa oficial de repasse aos preços e o calendário de votação no Congresso. Também segue aberta a definição sobre as regras de transição com o IPI.

O que checamos

Cada afirmação desta matéria foi conferida em fontes independentes antes da publicação.

7 confirmado7 só uma fonte
  1. Confirmado

    O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o governo deve enviar ao Congresso Nacional nesta semana o projeto que trata das alíquotas do Imposto Seletivo.

    Fontes: CNN Brasil, g1, Metrópoles, InfoMoney · Todas as fontes confirmam a declaração de Durigan sobre envio nesta semana.
  2. Confirmado

    O Imposto Seletivo foi criado pela reforma tributária sobre o consumo e tem o objetivo de encarecer produtos ou atividades prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, para desestimular o consumo.

    Fontes: CNN Brasil, g1, Metrópoles, InfoMoney · Todas as fontes descrevem o imposto como criado pela reforma e voltado a produtos nocivos.
  3. Confirmado

    A cobrança do tributo está prevista para começar em 2027.

    Fontes: g1, InfoMoney · Confirmado por g1 e InfoMoney.
  4. Confirmado

    A lista de bens e serviços atingidos inclui cigarros e produtos fumígenos, bebidas alcoólicas, bebidas açucaradas e refrigerantes, determinados veículos, embarcações e aeronaves, extração de bens minerais, loterias, apostas e jogos de fantasy sports.

    Fontes: g1, Metrópoles, InfoMoney · A lista geral é confirmada pelas três fontes, porém há variações: 'bebidas açucaradas' e 'embarcações/aeronaves' aparecem apenas no Metrópoles; 'refrigerantes' aparece no g1 e InfoMoney.
  5. Só uma fonte

    No caso de veículos, embarcações e aeronaves, ficam excluídos os destinados a uso operacional das Forças Armadas ou de órgãos de Segurança Pública; as exportações de minérios estão isentas.

    Fontes: Metrópoles · Segundo o Metrópoles.

Fontes consultadas 4

  1. 1CNN BrasilDurigan: Governo deve enviar medida sobre imposto seletivo nesta semanacnnbrasil.com.br
  2. 2g1Ministro da Fazenda diz que deve enviar nesta semana projeto do imposto do pecadog1.globo.com
  3. 3MetrópolesDurigan: texto do "imposto do pecado" deve ser enviado essa semanametropoles.com
  4. 4InfoMoneyGoverno Lula prepara envio do “imposto do pecado” ao Congresso nesta semanainfomoney.com.br

Encontrou um erro? As correções são publicadas na própria matéria, com data e hora.

Compartilhe esta notícia

Debata esta notícia no fórum

Abra um tópico sobre o assunto e chame outros leitores para a conversa.

Criar tópico sobre esta notícia

Comentários

Mais de Economia

Tudo de Economia

Toda notícia aqui passa por checagem de fontes

Cruzamos pelo menos duas fontes independentes antes de afirmar algo como fato, e mostramos todas no fim de cada matéria.

  • Fontes listadas
  • Selo de verificação
  • Correções públicas
Entenda o método