quarta-feira, 28 de outubro de 2026
Violência

Agressão após ato pró-Lula teve motivação política?

Engenheiro ambiental foi encontrado espancado depois de deixar um ato pró-Lula em Santos; a polícia registrou latrocínio e não confirmou motivação política ou homofobia até aqui.

Por Redação Use a Lógica
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Foto: Arte/Use a Lógica

O g1, o Estadão, a CNN Brasil e o Metrópoles noticiaram a agressão que deixou desacordado o engenheiro ambiental Marcelo de Oliveira Rocha, encontrado com marcas de espancamento na madrugada de sábado (24), em Santos, depois de se afastar de um ato político em apoio ao presidente Lula. A checagem confirma a sequência do episódio — a saída para o banheiro por volta das 3h, o socorro do Samu e a internação —, mas não encontra confirmação oficial sobre a motivação do crime. A Polícia Civil registrou a ocorrência como roubo com resultado de lesão corporal grave e, depois, como latrocínio; nenhuma autoridade afirmou até aqui que se apure motivação política ou homofobia.

O que se confirma

g1, Estadão e Metrópoles confirmam que Marcelo estava, na noite de sexta para sábado, em um ato político em apoio ao presidente Lula, com apresentação da Banda Esquerdantina, na Avenida Conselheiro Nébias, região do Sindipetro. Os três veículos também confirmam que, por volta das 3h de sábado (24), ele avisou os amigos de que iria ao banheiro e não retornou; os amigos estranharam a demora e começaram a procurá-lo.

O g1 e o Metrópoles confirmam que ele foi encontrado desacordado na esquina da Avenida Conselheiro Nébias com a Rua Henrique Ablas, com marcas de espancamento. O Samu foi acionado e levou a vítima em estado grave à Santa Casa de Santos — informação presente no g1, na CNN Brasil, no Estadão e no Metrópoles. A Prefeitura de Santos confirmou à CNN e ao Estadão o acionamento e o encaminhamento, e informou que a Guarda Civil Municipal não foi chamada para a ocorrência.

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A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo declarou ao g1 e ao Estadão que a vítima foi abordada por diversos homens, que a espancaram e levaram seus pertences, entre eles o celular. A pasta informou que "O caso foi registrado como roubo com resultado de lesão corporal grave na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Santos"; depois da morte, o registro passou a ser tratado como latrocínio.

A Unifesp, onde Marcelo cursava mestrado, divulgou nota em que lamenta a morte e cobra apuração: "A gravidade do ocorrido exige a apuração rigorosa das circunstâncias e motivações da agressão, bem como a identificação e responsabilização dos envolvidos". A universidade já havia afirmado que "independentemente das motivações que venham a ser esclarecidas, a violência não pode ser naturalizada ou tolerada".

A Banda Esquerdantina confirmou a agressão, segundo o g1 e o Estadão, pediu "a rápida apuração e consequente punição aos responsáveis" e afirmou: "Manifestamos nossa solidariedade à vítima e seus familiares, bem como nosso firme repúdio à homofobia, alertando para os riscos que todos corremos ao naturalizar, proteger ou promover o ódio como método de intimidação política".

O que não está confirmado

A apreensão de dois adolescentes aparece em uma única fonte consultada: o g1 informou que um deles se apresentou no 3º Distrito Policial, onde foi ouvido, e que o outro foi apreendido pela equipe do 4º DP. Nenhum dos demais veículos confirma a informação até a publicação desta matéria. Os adolescentes não são identificados e não há decisão judicial contra eles.

Também com base apenas no g1: a identificação de outros cinco suspeitos (três menores e dois maiores), a expedição de mandados de prisão e de internação provisória e o trabalho para localizar os demais. O Metrópoles, em texto publicado em 25/10, afirmou que nenhum suspeito havia sido preso ou localizado até o fechamento da edição — versão que diverge da do g1.

O g1 relata ainda que os investigadores analisam imagens de câmeras de monitoramento e de redes sociais do momento da abordagem, além de depoimentos de testemunhas, para individualizar a conduta de cada agressor. O conteúdo dessas imagens não foi divulgado oficialmente, e os depoimentos não foram detalhados publicamente.

Sobre a motivação, a SSP-SP, questionada pelo g1, não informou se apura a possibilidade de crime de ódio. A Banda Esquerdantina afirmou, em nota nas redes sociais, que "Diversas publicações relatam que a agressão seria motivada por homofobia", mas nenhuma fonte oficial sustenta essa hipótese. Motivação política também não foi confirmada por autoridade.

As fontes divergem em dois pontos. A idade da vítima é informada como 28 anos pela CNN Brasil e como 30 anos pelo g1, Estadão e Metrópoles. A data da morte também não é uniforme: g1, CNN e Estadão relatam transferência no domingo (25) ao Hospital São Paulo, da Unifesp, e confirmação da morte cerebral na segunda-feira (26); o Metrópoles publicou que ele morreu no domingo (25). O Estadão fala em coma induzido; o Metrópoles, em UTI no sábado e no domingo. Não há laudo divulgado.

Contexto

O episódio ocorreu nos arredores de um ato político em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com apresentação da Banda Esquerdantina, na Avenida Conselheiro Nébias, região do Sindipetro, em Santos. A vítima era engenheiro ambiental e estudante de mestrado da Unifesp, no Campus Baixada Santista.

A universidade afirmou acompanhar o caso pela direção do Instituto do Mar, pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e Políticas Afirmativas (Praepa) e pela Reitoria, com apoio à família. Familiares e amigos cobraram agilidade na apuração nas redes sociais.

O que ainda não se sabe

  • A dinâmica exata da agressão e a participação individual de cada suspeito não foram esclarecidas oficialmente.
  • Se houve motivação política ou homofobia; a SSP-SP não respondeu se investiga crime de ódio.
  • O conteúdo das imagens de câmeras e de redes sociais analisadas pelos investigadores.
  • O teor dos depoimentos das testemunhas.
  • Se os demais suspeitos identificados foram localizados.
  • As causas exatas e o laudo médico sobre a morte cerebral.

O que checamos

Cada afirmação desta matéria foi conferida em fontes independentes antes da publicação.

9 confirmado4 só uma fonte1 versões divergem
  1. Confirmado

    Marcelo de Oliveira Rocha participava, na noite de sexta para sábado, de um ato político em apoio ao presidente Lula, com apresentação da Banda Esquerdantina na Avenida Conselheiro Nébias, região do Sindipetro, em Santos.

    Fontes: g1, Estadão, Metrópoles · Confirmado por g1, Estadão e Metrópoles.
  2. Confirmado

    Por volta das 3h de sábado (24), ele avisou os amigos que iria ao banheiro e não retornou; os amigos estranharam a demora e começaram a procurá-lo.

    Fontes: g1, Estadão, Metrópoles · Confirmado por g1, Estadão e Metrópoles.
  3. Confirmado

    Marcelo foi encontrado desacordado na esquina da Avenida Conselheiro Nébias com a Rua Henrique Ablas, com marcas de espancamento.

    Fontes: g1, Metrópoles · Confirmado por g1 e Metrópoles.
  4. Confirmado

    O Samu foi acionado e prestou socorro no local, levando a vítima em estado grave à Santa Casa de Santos.

    Fontes: g1, CNN Brasil, Estadão, Metrópoles · Confirmado por todas as fontes.
  5. Versões divergem

    Ele foi transferido no domingo (25) para o Hospital São Paulo, hospital universitário da Unifesp, onde a morte cerebral foi confirmada na segunda-feira (26).

    Fontes: g1, CNN Brasil, Estadão, Metrópoles · Majoritariamente as fontes (g1, CNN, Estadão) confirmam morte na segunda; porém Metrópoles afirma que ele morreu no domingo (25). A data da morte é divergente.

Fontes consultadas 4

  1. 1g1Menores são apreendidos por morte de engenheiro agredido e roubado após se afastar de ato pró-Lulag1.globo.com
  2. 2CNN BrasilEstudante agredido após ato político em Santos morre em hospitalcnnbrasil.com.br
  3. 3EstadãoEngenheiro morre após ser espancado em ato pró-Lula no litoral de SPestadao.com.br
  4. 4MetrópolesEngenheiro é espancado e morto ao se afastar de ato político de Lulametropoles.com

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