Ueno, Peña e o impeachment: o que o G1 contou e o que ficou de fora da crise no Paraguai
A cronologia do G1 confere nos pontos principais, mas omite o pedido de prazo de Peña ao Senado e erra ou não confirma detalhes, como o nome do presidente do Ueno.
Os fatos publicados pelo G1 se confirmam, mas outras fontes trazem informação que muda a leitura e não estava no texto. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

A essência do que o G1 publicou se confirma: o Ueno foi liquidado, Peña foi acionista do grupo até março de 2025 e a Câmara abriu o impeachment.
Mas o texto deixou de fora a defesa de Peña, que pediu 72 horas ao Senado, e a aprovação do impeachment pelo Senado não aparece nas fontes numeradas.
Por que isso aconteceu
A crise começou quando o Banco Central liquidou o Ueno, banco digital do Grupo Vázquez, por insuficiência de recursos ligada a empréstimos a empresas do grupo.
Cerca de 3 milhões de clientes ficaram sem acesso aos depósitos.
A oposição acusa Peña de conflito de interesses por ter sido acionista do grupo até março de 2025, e de ter nomeado para o Banco Central Carlos Carvallo, ex-dirigente do Ueno, que depois renunciou ao cargo, segundo a Agência Brasil.
Leia tambémRecompensa de US$ 20 milhões por dados do programa nuclear iraniano se confirma, mas o G1 omitiu contextoPeña anunciou a renúncia em nome da estabilidade e da preservação das instituições.
A Agência Brasil explica que o impeachment importa porque presidente cassado perde o cargo de senador vitalício e o foro privilegiado.
Segundo a Jovem Pan, oito dirigentes do Ueno foram presos e 27 pessoas foram acusadas, com bloqueio de bens.
O outro lado
Segundo a Revista Oeste, Peña pediu ao Senado 72 horas para preparar a defesa.
Ele alega que recebeu a notificação às 22h15 de quinta-feira, com acusação de 15 páginas e cerca de 300 de anexos, e que menos de 12 horas não bastam para uma defesa adequada.
Segundo a Jovem Pan, ele escreveu no X que os responsáveis deverão responder judicialmente, "independentemente de quem sejam", e pediu que os setores políticos coloquem o interesse dos poupadores em primeiro lugar.
A Jovem Pan também registra que uma lei foi promulgada para acelerar a devolução dos depósitos.
Segundo a Agência Brasil, o presidente do Congresso, Bachi Núñez, dizia dias antes que Peña não poderia ser responsabilizado porque o Banco Central tem autonomia institucional.
O que ficou de fora do texto do G1
- Peña pediu 72 horas ao Senado para preparar a defesa, alegando que foi notificado às 22h15 de quinta-feira (Revista Oeste)
- Peña disse no X que os responsáveis deverão responder judicialmente e que uma lei foi promulgada para acelerar a devolução dos depósitos (Jovem Pan)
- Oito dirigentes do Ueno foram presos e 27 pessoas foram acusadas, com bloqueio de bens (Jovem Pan)
- O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, foi dirigente do Ueno até 2023 e renunciou ao cargo (Agência Brasil)
- O Partido Colorado, de Peña, cobrou a renúncia, e Horacio Cartes disse que a legenda não estará ao lado do "latrocínio de fundos públicos" (Agência Brasil)
- A Câmara aprovou o impeachment por unanimidade (Revista Oeste) (Agência Brasil)
Como o G1 contou a história
O G1 montou uma cronologia centrada no avanço da oposição e na disputa em torno da renúncia, e trata o impeachment como já consumado no Senado, algo que as fontes numeradas não mostram.
Não ouve Peña, que pede mais prazo para se defender e diz que os responsáveis devem responder na Justiça, nem registra que a Câmara votou por unanimidade, com apoio do próprio Partido Colorado.
A Jovem Pan e a Revista Oeste dão mais espaço à defesa e aos nomes presos; a Agência Brasil destaca a pressão interna do partido do presidente e a nomeação de Carvallo.
Afirmação por afirmação
Cada afirmação da matéria do G1, conferida em outros veículos e fontes oficiais.
- Confirmado
O Banco Central do Paraguai liquidou o Ueno na terça-feira (3), por insuficiência de recursos ligada a empréstimos a empresas vinculadas ao banco.
Fontes: Revista Oeste, Jovem Pan, Agência Brasil · A Jovem Pan cita insuficiência de recursos e empréstimos a empresas ligadas ao banco; a Revista Oeste fala em problemas nos índices de solvência. - Confirmado
O Ueno tinha cerca de 3 milhões de clientes e cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
Fontes: Revista Oeste, Jovem Pan, Agência Brasil · A Revista Oeste e a Jovem Pan trazem os mesmos números. A Agência Brasil fala em 2,9 milhões de correntistas e em cerca de 30% dos depósitos de fundos públicos. - Confirmado
Peña foi acionista do Grupo Vázquez, dono do Ueno, até março de 2025, e a oposição vê conflito de interesses.
Fontes: Revista Oeste, Jovem Pan, Agência Brasil · A Jovem Pan, a Revista Oeste e a Agência Brasil registram a participação até março de 2025 e a acusação da oposição. - Confirmado
A Câmara aprovou a abertura do impeachment contra Peña mesmo depois do anúncio de renúncia, e o pedido contra o vice Pedro Alliana foi rejeitado.
Fontes: Revista Oeste, Agência Brasil · A Agência Brasil e a Revista Oeste dizem que a Câmara aprovou o processo por unanimidade. A rejeição do pedido contra o vice não aparece nos textos, só na manchete da CNN Brasil. - Impreciso
A renúncia não foi votada por falta de quórum, depois que parlamentares colorados deixaram o plenário, e Peña seguiu no cargo.
Fontes: Revista Oeste, Agência Brasil · A Revista Oeste confirma que o Congresso não analisou a renúncia por falta de quórum e que Peña seguia no cargo. A saída dos colorados do plenário só aparece no G1. A Agência Brasil diz que o próprio Partido Colorado apoiava o impeachment.
Fontes consultadas 5
- 1g1De escândalo bancário ao impeachment: veja a cronologia da crise no Paraguai que derrubou o presidenteg1.globo.com
- 2Revista OesteParaguai: Peña pede prazo de 72h para se defender de impeachmentrevistaoeste.com
- 3Jovem PanOposição pede impeachment do presidente do Paraguai após crise em banco digitaljovempan.com.br
- 4Agência BrasilPresidente do Paraguai renuncia em meio à crise bancária; vice assumeagenciabrasil.ebc.com.br
- 5Agência SenadoComissão de Relações Exteriores segue 'com atenção' crise no Paraguaiwww12.senado.leg.br
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