Quem está por trás do roubo de US$ 6,3 bi na Binance?
Empresas de rastreamento atribuem o ataque a hackers norte-coreanos, e Trump diz que EUA investigam. Binance diz que cobrirá as perdas e que os fundos dos usuários estão seguros.
Parte das informações foi confirmada; o restante segue em apuração e está sinalizado no texto. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

Hackers roubaram mais de US$ 6 bilhões em criptomoedas da Binance, em um ataque que durou cerca de 20 minutos na quinta-feira (29), por volta das 17h de Brasília. O g1 Economia, a CNN Brasil, a Exame e o Metrópoles noticiaram o caso, e a corretora diz que congelou cerca de US$ 3 bilhões. A checagem confirmou o roubo e o congelamento, mas a autoria norte-coreana ainda depende de confirmação oficial.
O que se confirma
A checagem confirmou o roubo nas quatro fontes consultadas. A CNN Brasil fala em “mais de US$ 6 bilhões”, o g1, a Exame e o Metrópoles citam cerca de US$ 6,3 bilhões. Segundo a CNN Brasil, o ataque é o maior da história, na avaliação de Aravind Srinivasan, chefe de operações OTC da GSR.
A maior parte da movimentação dos recursos ocorreu em cerca de 20 minutos. Esse dado aparece no g1, na Exame e no Metrópoles.
Leia tambémPerdão de R$ 12,5 bilhões para MEIs: a regra ainda não saiu do papelCerca de US$ 3 bilhões foram congelados. O g1 e a CNN Brasil dizem que um grupo de empresas de criptomoedas bloqueou o valor. O Metrópoles diz que a própria Binance informou ter congelado esse montante, e a Exame relata que a empresa afirma que os ativos foram localizados.
A Binance diz que a investigação preliminar aponta que o ataque começou pelo notebook de um engenheiro, o que deu acesso a um contêiner de serviço e permitiu saques não autorizados. A informação aparece na CNN Brasil, na Exame e no Metrópoles. Segundo a CNN Brasil, a corretora suspendeu depósitos e saques enquanto faz verificações de segurança, revogou o endereço afetado e acionou autoridades policiais.
A Binance também afirma que cobrirá todas as perdas com recursos próprios e com um fundo emergencial, e que os fundos dos usuários estão seguros. Essa afirmação vem da própria empresa e ainda não foi verificada de forma independente.
Empresas de rastreamento atribuem o ataque à Coreia do Norte. A TRM Labs aponta hackers norte-coreanos, e a Chainalysis diz ter alto grau de confiança nessa autoria, segundo a CNN Brasil e a Exame. A Pangolin Intelligence também atribui o roubo a uma unidade norte-coreana.
O que não está confirmado
O presidente Donald Trump disse, segundo o g1, apenas “Estamos investigando”. Nenhuma fonte consultada traz confirmação oficial do FBI ou do governo dos EUA sobre a autoria. A checagem não encontrou registro de conclusão dessa investigação.
O Metrópoles atribui à mesma unidade norte-coreana o ataque de fevereiro de 2025 à Bybit, que somou US$ 1,5 bilhão, segundo a Exame e o Metrópoles. Só o Metrópoles, porém, diz que o grupo é o mesmo nos dois casos. A Exame fala em semelhanças de método, sem afirmar a mesma autoria.
Há outras afirmações que a checagem não sustenta. A Exame publicou que a Tether bloqueou cerca de US$ 1,57 bilhão, que a Circle bloqueou mais de US$ 800 milhões e que a Ripple bloqueou cerca de US$ 200 milhões, mas nenhuma outra fonte consultada confirma esses valores. A mesma Exame também atribuiu à Elliptic a informação de que os criminosos já converteram cerca de US$ 3,3 bilhões em ativos que não podem ser congelados, sem que outra fonte confirme o dado.
A CNN Brasil publicou que o bitcoin e o ether operavam em queda de 2% a 3% na sexta-feira (30). Nenhuma outra fonte consultada traz esse número.
Sobre o Brasil, o g1 relata que a Binance diz seguir, no país, as regras do Banco Central, que desde fevereiro exige a separação dos recursos dos usuários em relação aos da corretora. Nenhuma outra fonte consultada trata do tema.
Versões em divergência
Há diferenças sobre a origem do problema. Segundo a CNN Brasil, a Binance atribui o problema ao notebook de um engenheiro. Já a Exame cita a empresa dizendo que não encontrou evidências de comprometimento das chaves privadas e que descobriu outros pontos de invasão, sem detalhá-los.
O executivo Richard Teng, co-CEO da Binance, afirmou ao Metrópoles: “Para deixar claro: o invasor não usou simplesmente as permissões de um engenheiro, e não se tratou de uma ação simples de ‘um clique’. Envolveu um processo de ataque mais complexo”.
Os valores em reais também variam. As fontes citam R$ 34 bilhões e R$ 33,8 bilhões para o mesmo roubo. A diferença provavelmente reflete a cotação do dólar usada por cada veículo, mas a checagem não tem como confirmar essa causa.
Contexto
A Binance é uma das maiores corretoras de criptomoedas do mundo. Corretoras guardam ativos em nome dos clientes, e isso faz parte do risco de ataques deste tipo.
Um analista da Pangolin Intelligence, não identificado pela CNN Brasil, disse: “Acho que o jogo de gato e rato mal começou”. A frase expressa a avaliação de um analista e não traz dados que a confirmem.
O que ainda não se sabe
- Quanto dos US$ 3 bilhões congelados será efetivamente devolvido aos donos dos recursos.
- Quais são as novas vulnerabilidades identificadas pela Binance e como elas foram corrigidas.
- Se o governo dos EUA confirmará a autoria norte-coreana e se o FBI divulgará conclusões.
- Quantos usuários brasileiros foram afetados, já que nenhuma fonte traz esse número.
- Quando depósitos e saques serão normalizados, pois a empresa ainda não divulgou um cronograma confirmado.
Para usuários brasileiros, a informação disponível até aqui é a da própria Binance: os fundos estão seguros e a empresa diz cumprir as regras do Banco Central. A checagem não encontrou dados sobre impacto específico no país.
O que checamos
Cada afirmação desta matéria foi conferida em fontes independentes antes da publicação.
- Confirmado
Hackers roubaram cerca de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas da Binance, o maior roubo do tipo já registrado.
Fontes: g1 Economia, CNN Brasil, Exame, Metrópoles · Os quatro veículos citam o roubo e o recorde. A CNN diz 'mais de US$ 6 bilhões'; g1, Exame e Metrópoles citam US$ 6,3 bilhões. - Confirmado
Cerca de US$ 3 bilhões dos valores roubados foram congelados.
Fontes: g1 Economia, CNN Brasil, Exame, Metrópoles · CNN, Exame e Metrópoles citam cerca de US$ 3 bilhões congelados ou localizados. O trecho do g1 não traz o número. Exame diz 'localizados' segundo a Binance. - Confirmado
A maior parte da movimentação ocorreu em cerca de 20 minutos, por volta das 17h de Brasília de quinta-feira (29).
Fontes: g1 Economia, Exame, Metrópoles · A duração de 20 minutos está em g1, Exame e Metrópoles. O horário (pouco depois das 17h) só aparece na Exame. - Confirmado
A Binance diz que a investigação preliminar aponta que o ataque começou no notebook de um engenheiro, com acesso a um contêiner de serviço e saques não autorizados.
Fontes: CNN Brasil, Exame, Metrópoles · CNN traz a declaração da Binance com o contêiner de serviço. Exame e Metrópoles confirmam a origem no computador do engenheiro, sem citar o contêiner. - Confirmado
A Binance afirma que cobrirá todas as perdas com recursos próprios e fundo emergencial, e que os fundos dos usuários estão seguros.
Fontes: CNN Brasil, Exame, Metrópoles · CNN traz a citação completa. Exame confirma a cobertura das perdas. Metrópoles confirma que os fundos estão seguros.
Fontes consultadas 4
- 1g1 EconomiaTrump diz que EUA investigam se ataque contra a Binance foi feito por hackers da Coreia do Norteg1.globo.com
- 2CNN BrasilHackers da Coreia do Norte são suspeitos de roubo de US$ 6 bi na Binancecnnbrasil.com.br
- 3ExameComo hackers norte-coreanos roubaram US$ 6,3 bilhões da Binance em 20 minutosexame.com
- 4MetrópolesHackers da Coreia do Norte podem estar por trás de roubo de criptomoedasmetropoles.com
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