O próprio parlamentar é sócio da empresa paga
O nome civil do parlamentar aparece no quadro de sócios de uma empresa paga com a cota. Quando a Receita mostra os dígitos do meio do CPF do sócio, eles também precisam bater com o CPF do deputado.
Pontos de atenção nos gastos e fidelidade ao partido: de onde eu tiro os dados, quais regras eu uso e o que elas não dizem.
Ponto de atenção não é acusação nem prova de irregularidade. É um cruzamento automático de dados públicos que merece ser conferido. Muitos têm explicação simples, e em cada ponto eu deixo a prova para você conferir.
Eu uso as mesmas regras para todos os parlamentares, de qualquer partido. Cada ponto tem um peso; a soma dos pesos vira um índice de 0 a 100, que cresce rápido nos primeiros pontos e não passa de 100. Filiais da mesma empresa (mesma raiz de 8 dígitos do CNPJ) contam como uma empresa só.
O nome civil do parlamentar aparece no quadro de sócios de uma empresa paga com a cota. Quando a Receita mostra os dígitos do meio do CPF do sócio, eles também precisam bater com o CPF do deputado.
Um sócio ou administrador de empresa paga com a cota aparece como doador da campanha do mesmo parlamentar na prestação de contas do TSE (eleições de 2018, 2022 e 2026). O nome e os 6 dígitos do CPF que a Receita divulga precisam bater, e a empresa precisa ter recebido ao menos R$ 1 mil no ano. Diretores e conselheiros de sociedades anônimas não contam (são cargos, não donos). Um ponto por empresa, mesmo que vários sócios tenham doado.
A empresa está baixada, inapta, suspensa ou nula na Receita Federal e recebeu pagamentos da cota depois da data dessa situação.
A empresa foi aberta menos de 180 dias antes do primeiro pagamento da cota e recebeu ao menos R$ 10 mil do parlamentar no ano.
O tipo de gasto declarado (combustível, locação de veículos, divulgação, consultoria, hospedagem, alimentação, telefonia, passagens, segurança ou assinaturas) não combina com nenhuma atividade registrada da empresa na Receita, principal ou secundária. Vale a partir de R$ 5 mil no ano.
Entre todos os deputados e senadores, só este parlamentar pagou a empresa com a cota no ano, e ela levou pelo menos R$ 50 mil e 20% ou mais de tudo o que ele gastou da cota. Aluguel, manutenção de escritório, material, combustível e passagens ficam de fora (é normal ter um único fornecedor desses).
Um sócio ou administrador da empresa paga (ao menos R$ 1 mil no ano) tem o mesmo último sobrenome do nome civil do parlamentar, e esse sobrenome não está entre os mais comuns do Brasil. A coincidência não confirma parentesco: é um ponto para conferir.
Uma nota de pelo menos R$ 10 mil é maior que 99,5% das notas do mesmo tipo de gasto na cota, considerando todos os parlamentares no ano. Contam as 2 maiores de cada um.
Seis ou mais notas de combustível no mesmo dia somando pelo menos R$ 2 mil, ou um total no dia maior que 99,8% de todos os dias com abastecimento pagos pela cota no ano (considerando todos os parlamentares). Contam os 2 dias mais altos de cada um.
Exemplo: um sócio que doou para a campanha (4) e uma empresa aberta pouco antes de receber (2) somam 6 pontos de peso, o que dá índice 45.
Para cada voto "sim" ou "não" numa votação nominal, eu comparo com a orientação da bancada do partido naquela votação (Câmara). Quando não há orientação, eu comparo com a maioria dos colegas de partido que votaram, sem contar o próprio voto. Votações em que o partido liberou a bancada ficam de fora. A fidelidade é a porcentagem de votos iguais à referência.
Parlamentares e empresas citados podem pedir correção ou enviar explicação pelo fórum ou pelos contatos da redação. Eu publico a explicação junto do ponto.
Cruzamos pelo menos duas fontes independentes antes de afirmar algo como fato, e mostramos todas no fim de cada matéria.