quarta-feira, 28 de outubro de 2026
Mercado

Dólar abaixo de R$ 5 na véspera do 2º turno: o que pesou no mercado?

O dólar fechou abaixo de R$ 5 e caiu cerca de 1,58% na semana; o Ibovespa subiu no dia. A relação com as pesquisas é leitura de analistas, não consenso.

Por Redação Use a Lógica · Atualizado
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Informações confirmadas em 3 fontes independentes. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

Fachada do prédio da Bovespa no centro de São Paulo
Prédio da Bovespa, no centro de São Paulo (foto de arquivo, 2017) Foto: Wilfredor (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons

O dólar à vista encerrou o último pregão antes do segundo turno da eleição presidencial cotado abaixo de R$ 5, com desvalorização de cerca de 1,58% no acumulado da semana, enquanto o Ibovespa subiu 0,47% no dia, aos 205.082,56 pontos, mas recuou 0,17% no conjunto da semana. O movimento foi sustentado pelo ajuste de posições de investidores diante das pesquisas divulgadas na véspera, pela desaceleração da prévia da inflação e pelo avanço do petróleo no mercado internacional.

A moeda americana terminou o dia a R$ 4,993, no menor patamar desde o início de outubro, segundo a Agência Brasil. A variação diária foi registrada como queda de 0,92% pela Agência Brasil e de 0,90% pela Exame. Na semana, a baixa aparece como 1,58% na Agência Brasil e 1,57% no g1 Economia e na Exame, depois de uma semana anterior de alta.

O Ibovespa fechou o pregão em alta de 0,47%, com volume financeiro de R$ 30,7 bilhões. No acumulado semanal, porém, o índice teve leve baixa, de 0,17%.

Pessoas em ambiente da bolsa de valores, com telões e pregões ao fundoLeia tambémPor que a Bolsa caiu 13,88% e o dólar subiu 8,21% após a eleição?

Ajuste de posições e pesquisas eleitorais

Os investidores reduziram posições antes da votação entre Lula e Flávio Bolsonaro, movimento descrito pelos três veículos como característico da véspera de um segundo turno. A avaliação é de que o mercado optou por cautela diante da disputa apertada.

Segundo Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, a oscilação maior nesse período é esperada. "Na véspera de um segundo turno, é comum observar uma maior volatilidade no Ibovespa e no dólar devido às incertezas em relação aos rumos econômicos do país", afirmou.

Os levantamentos eleitorais divulgados na véspera foram citados como um dos gatilhos do humor do mercado. Conforme o g1 Economia, o Datafolha mostrou Flávio Bolsonaro com 47% das intenções de voto e Lula com 46%, e empate de 50% a 50% em votos válidos. Já a Exame destacou a pesquisa Veritá, que apontou Flávio com 51,3% e Lula com 48,7% dos votos válidos, como fator de otimismo para parte dos investidores.

"Também acho que a pesquisa Veritá que saiu, que confirmou e até ampliou a vantagem do Flávio, contribuiu para essa última pernada que a bolsa acabou dando", disse Rodrigo Moliterno, sócio e head de renda variável da Veedha Investimentos.

Inflação e petróleo

A prévia da inflação de outubro desacelerou e ficou abaixo do esperado pelo mercado. O IPCA-15 marcou 0,32%, ante 0,70% em setembro, número divulgado às vésperas da reunião do Copom, prevista para o início de novembro.

No exterior, o petróleo subiu mais de 3% no dia, pressionado por tensões no Oriente Médio. O Brent terminou em US$ 116,72, com alta de 3,13% no dia e de 6,24% na semana, enquanto o WTI ficou em US$ 103,27, avanço de 3,82% no pregão. O movimento ajudou ações de petroleiras e mineradoras.

Empresas domésticas lideram ganhos

De acordo com a Exame, papéis ligados ao mercado doméstico puxaram o índice. A CSN liderou os ganhos, com alta de 12,41%, e a Usiminas também apareceu entre as maiores valorizações. Na ponta negativa, a Vibra recuou 3,19% e a WEG caiu 2,89%.

"Então, o mercado ficou bastante animado. Deu para perceber que os papéis do chamado pacote Brasil, aqueles em que todo mundo tem entrado, principalmente o gringo, foram os de maior performance", afirmou Moliterno.

Segundo a Agência Brasil, o real teve desempenho melhor que o de outras divisas globais mesmo com o índice DXY em alta no exterior.

O que ainda não se sabe

Os veículos não apresentaram dados sobre o comportamento do dólar e do Ibovespa em semanas anteriores a eleições passadas, o que impediria uma comparação histórica do movimento. Também não há detalhamento sobre como o mercado precifica a política econômica de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, nem sobre o resultado da votação e a reação dos ativos no dia seguinte.

O que checamos

Cada afirmação desta matéria foi conferida em fontes independentes antes da publicação.

6 confirmado2 só uma fonte1 versões divergem
  1. Confirmado

    O dólar à vista encerrou o dia em queda e ficou abaixo de R$ 5, no menor nível desde o início de outubro.

    Fontes: Agência Brasil, g1 Economia, Exame · Fechou a R$ 4,993 em queda; abaixo de R$ 5 em todas as fontes. Menor nível desde 9/10 (Agência Brasil) e 12/10 (Exame); há divergência na data exata, mas ambas indicam início de outubro.
  2. Confirmado

    Na semana, o dólar acumulou desvalorização em torno de 1,58%, após ter subido na semana anterior.

    Fontes: Agência Brasil, g1 Economia, Exame · Queda semanal de 1,58% (Agência Brasil), 1,57% (g1 e Exame). A alta na semana anterior é citada apenas pela Agência Brasil.
  3. Confirmado

    O Ibovespa fechou em alta no dia, mas acumulou leve queda no conjunto da semana.

    Fontes: Agência Brasil, g1 Economia, Exame · Alta de 0,47% no dia e queda de 0,17% na semana, confirmadas pelas três fontes.
  4. Confirmado

    Investidores ajustaram posições no último pregão antes do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro.

    Fontes: Agência Brasil, Exame · Agência Brasil menciona explicitamente ajuste de posições; Exame via citação de estrategista (Rebecca Nossig). O contexto do segundo turno está em todas as fontes.
  5. Versões divergem

    Pesquisas eleitorais divulgadas na véspera mostraram empate técnico entre os candidatos, e uma pesquisa foi citada como fator de otimismo para parte do mercado.

    Fontes: g1 Economia, Exame · g1 destaca empate técnico (Datafolha 47% a 46% e 50% a 50% válidos); Exame cita pesquisa Veritá com vantagem de 2,6 p.p. para Flávio e a associa a otimismo. Dados divergem sobre o cenário eleitoral.

Fontes consultadas 3

  1. 1Agência BrasilDólar fecha abaixo de R$ 5 e recua 1,58% na semanaagenciabrasil.ebc.com.br
  2. 2g1 EconomiaDólar cai a R$ 4,99 e Ibovespa sobe antes do 2º turno das eleiçõesg1.globo.com
  3. 3ExameIbovespa sobe com perspetiva de vitória de Flávio e dólar fecha abaixo de R$ 5 antes do 2º turnoexame.com

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