Juros da casa própria sobem após a eleição, e o G1 não conta o tamanho do salto do Bradesco
Os aumentos de Bradesco, Itaú e Santander se confirmam. O G1 deixou de fora que o reajuste do Bradesco foi fora do padrão e que as taxas passaram do teto do SFH.
Os fatos publicados pelo G1 se confirmam, mas outras fontes trazem informação que muda a leitura e não estava no texto. O que checamos · Ver fontes · Como checamos

Os fatos centrais do G1 se confirmam: Bradesco, Itaú e Santander subiram as taxas do crédito imobiliário, com os valores e as datas que o G1 traz. A matéria deixa de fora que as taxas dos três ultrapassaram o teto do SFH, o que afeta o uso do FGTS, e a avaliação de que o salto do Bradesco foi fora do padrão. Há ainda uma imprecisão na taxa anterior do Bradesco.
Por que isso aconteceu
Segundo Investidor10, Exame e InfoMoney, os juros futuros subiram após o segundo turno, com a reeleição de Lula, que elevou a incerteza fiscal no mercado. Como parte do dinheiro do crédito imobiliário vem de LCIs e CRIs, cujo custo acompanha a curva de juros, os bancos dizem que precisam refletir a captação mais cara nas taxas. Itaú e Bradesco justificaram os reajustes dessa forma, e o Santander não detalhou o motivo. A Exame lembra que a poupança, fonte mais barata, perdeu espaço: caiu de 34% para 29% do funding entre dezembro de 2023 e dezembro de 2025, segundo o Banco Central. Para Paulo Prado, da MySide, ouvido pelo InfoMoney, o salto de 3,3 pontos do Bradesco foi uma forma de tornar o financiamento menos atrativo e frear novas contratações.
O que ficou de fora do texto do G1
- O reajuste do Santander leva a taxa para além do teto de 12% ao ano do SFH, e agora os três bancos privados cobram acima dele (Exame)
- O enquadramento no SFH é condição para usar o FGTS na compra do imóvel ou na amortização das parcelas (Exame)
- Paulo Prado, da MySide, diz que o aumento de 3,3 pontos de uma vez no Bradesco é "completamente fora do padrão", enquanto o do Itaú está mais dentro do normal (InfoMoney)
- Prado diz que a dúvida é o que a Caixa fará, pois depende da diretriz do governo federal (InfoMoney)
- A Exame mostra que o Santander ficou com a menor taxa mínima entre os três e que a taxa da maioria dos clientes do Bradesco ficou acima da Selic de 13,75% (Exame)
- A expectativa do mercado é de que outros bancos sigam o movimento, com possível exceção dos estatais (Investidor10) (Exame)
Como o G1 contou a história
O G1 fez uma matéria de serviço ao consumidor, com as notas dos bancos e dicas de comparação de CET, TR e sistemas de amortização. Destacou o silêncio da Caixa, mas deixou de lado o que as outras fontes colocam em primeiro plano: a ligação direta entre a alta dos juros futuros e a reação do mercado à reeleição de Lula e à incerteza fiscal. O G1 também não menciona o teto do SFH e o risco para o uso do FGTS, nem o caráter atípico do reajuste do Bradesco, nem a avaliação de que a decisão da Caixa depende da diretriz do governo federal. A explicação do G1 fica nos bancos e nos juros futuros, sem apontar a origem fiscal da pressão.
Afirmação por afirmação
Cada afirmação da matéria do G1, conferida em outros veículos e fontes oficiais.
- Confirmado
Bradesco, Itaú e Santander anunciaram nos últimos dias aumento nas taxas de financiamento imobiliário.
Fontes: Investidor10, Exame, InfoMoney · Investidor10, Exame e InfoMoney relatam que os três bancos reajustaram as taxas entre 26 e 30 de outubro. - Impreciso
O Bradesco subiu a taxa principal de 11,99% + TR para 15% + TR, com nova tabela em vigor desde segunda-feira (26).
Fontes: Exame, InfoMoney · A data e o novo patamar de 15% conferem. A Exame mostra a taxa anterior em 11,69% e o InfoMoney a cita como 11,7%, não 11,99%. A Exame calcula alta de 3,31 pontos percentuais. - Confirmado
O Itaú reajustou a taxa mínima para 12,95% ao ano a partir de quinta-feira (29).
Fontes: Exame, InfoMoney · A Exame e o InfoMoney informam a taxa de 12,95% e o reajuste na quinta-feira (29), partindo de 11,99%. - Confirmado
O Santander passou de 11,69% para taxas a partir de 12,49% + TR a partir de sexta-feira (30).
Fontes: Exame, InfoMoney · A Exame e o InfoMoney trazem os mesmos números e a mesma data, com confirmação do banco. - Confirmado
Os bancos atribuem o movimento à alta dos juros futuros, que subiram após as eleições.
Fontes: Investidor10, Exame, InfoMoney · Segundo o Investidor10, a Exame e o InfoMoney, a alta dos juros futuros após o segundo turno encarece a captação dos bancos. A Exame observa que o Santander não detalhou o motivo, e o G1 também só traz uma nota genérica do banco.
Fontes consultadas 4
- 1g1Financiamento imobiliário mais caro? Bradesco, Itaú e Santander elevam taxas; Caixa não se manifestag1.globo.com
- 2Investidor10Bradesco, Itaú e Santander elevam juros do crédito imobiliário: Qual o efeito no balanço?investidor10.com.br
- 3ExameSantander segue exemplo de Itaú e Bradesco e sobe juros da casa própria: veja em quanto ficouexame.com
- 4InfoMoneyApós Bradesco e Itaú, Santander também eleva juros do crédito imobiliárioinfomoney.com.br
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